PSTU realiza primeiro seminário nacional de comunicação

Evento debateu a importância do jornal do partido e sua relação com os demais veículos. Evolução e recorde de visitas ao Portal do PSTU foram apresentados no eventoAlgumas atividades políticas, ao seu final, deixam a militância do PSTU com uma sensação de orgulho de pertencer ao partido e com mais ânimo para atuar. Foi assim, por exemplo, nos atos e debates do Fórum Social Mundial e na marcha do Fora Todos, em Brasília. Este sentimento se repetiu entre os participantes do 10 Seminário Nacional de Comunicação do PSTU, nos dias 10 e 2 de abril, em São Paulo.

O seminário teve um público de cerca de 50 pessoas ligadas à área de comunicação, militantes do PSTU e convidados. Muitas regionais do partido participaram: Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Natal, Aracajú, Campinas, São José dos Campos, Guarulhos, São Carlos, Jacareí, Ribeirão Preto, Nova Iguaçu e Volta Redonda. Além de representantes da editora José Luís e Rosa Sundermann e do Ilaese.

O evento foi um importante espaço para refletir sobre a comunicação do partido, estudar as concepções do marxismo, principalmente entre os bolcheviques, e reunir os militantes que atuam e estudam o tema. Veja abaixo o resumo das atividades.

Imprensa operária
A primeira mesa do seminário, “Concepção de imprensa operária” contou com Álvaro Bianchi, professor da Unicamp e ex-editor do Opinião Socialista, Eduardo Almeida, editor do Opinião e da direção nacional do partido, e Cecília Toledo, da revista Marxismo Vivo. Esta mesa norteou os debates do seminário, a partir de uma concepção leninista de imprensa.

Álvaro ressaltou a importância desta concepção. Para Lênin, o jornal partidário era um agitador, um propagandista, mas principalmente um organizador coletivo, um órgão central do partido. Àlvaro afirmou ainda que “a discussão sobre a concepção de jornal é a discussão sobre o partido que queremos”. Ele avançou sobre o papel organizativo, refletindo que isso significa não só que o jornal é o centralizador da política, mas principalmente um instrumento de democracia interna,com os correspondentes.

Eduardo defendeu a atualidade dessa concepção leninista, tendo o jornal como centro da vida partidária, perante a realidade depois dos acontecimentos do Leste Europeu, incluindo as desconfianças com os partidos e o socialismo. Para ele, o jornal deve ser o centro de articulação das outras iniciativas do partido (panfleto, portal, Marxismo Vivo), para integrar agitação, propaganda e organização nos dias de hoje.
Cecília concentrou sua exposição na contribuição de Trotsky, principalmente em relação à linguagem. Os jornais produzidos por Trotsky, antes de 1917, eram os mais vendidos, em boa parte devido ao cuidado com o que seria publicado. Em um trecho do livro “Questões do Modo de Vida”, o revolucionário alerta: “Colegas jornalistas, o leitor suplica-vos que evitem dar-lhes lições, fazer-lhes sermões, dirigir-lhe apóstrofes ou ser agressivos, mas antes que lhe descrevam e expliquem clara e inteligivelmente o que se passou, aonde e como se passou”.

Criatividade na TV
A mesa “Dez anos de criatividade na TV” contou com Mariucha Fontana, da Direção Nacional e responsável pelos programas de TV e rádio do partido, e José Braunschweiger, o Zeca, responsável pelos programas do Rio de Janeiro. Foram exibidos programas nacionais de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. O uso do humor e da criatividade foi ressaltado. Mariucha afirmou “que para conseguir passar uma mensagem em 30 segundos, o partido teve que buscar uma linguagem próxima a de um comercial, com um só conceito”.

Também foi discutida o uso deste espaço para divulgar as lutas da classe trabalhadora, como a campanha contra a Alca, e a importância de produzir materiais entre as eleições, para formação política e campanhas.

A batalha na internet
O debate sobre a internet foi apresentado por Gustavo Sixel e Yara Fernandes, jornalistas do Portal do PSTU, e por Roberto Muniz, responsável pelo boletim eletrônico e pelo atendimento aos filiados.

Gustavo apresentou um histórico, desde o surgimento da rede Arpanet, no final dos anos 60, financiada por militares dos EUA, a influência da contracultura em sua concepção, até a popularização da rede e a entrada das empresas. Foi ressaltado o uso do novo meio pelos movimentos sociais e partidos e ainda outras formas de resistência, como as batalhas tecnológicas, como a do software livre.

Yara mostrou a presença do PSTU na internet, desde as primeiras páginas. Foram comentadas as mudanças ocorridas na última reformulação, em janeiro de 2005, quando as atualizações passaram a ser constantes e foi adotado um formato de portal de notícias. O crescimento impressionante foi exposto em gráficos. Em março, o portal atingiu o recorde de 597 mil visitas. Foi feita, entretanto, a observação de que tais dados referem-se a visitas e não a pessoas, já que essas podem acessar o portal várias vezes por mês ou por dia. Também foi destacada a necessidade de traçar o perfil dos visitantes.

Rodrigo mostrou que esse crescimento de visitas também provocou um aumento no número de filiações e cadastros para recebimento de boletins. Os números demonstram que o portal é um importante instrumento de aproximação das pessoas ao partido e de divulgação da política. Alguns dos que falaram lembraram que o primeiro contato com o partido tinha sido ‘virtual’, pela página e em listas.

Todos insistiram em afirmar que o site não substitui o jornal, que segue sendo não só o principal órgão de comunicação do partido, mas um organizador e a principal ferramenta de construção. Por isso, entre os diversos passos a serem dados – como a interatividade e maior atualização de conteúdo –, o principal é estabelecer um vínculo maior entre a internet e o jornal, que potencialize este último.

Muralhas da linguagem
O painel “Muralhas da linguagem” ocorreu na tarde de domingo com Vito Giannotti, do Núcleo Piratininga de Comunicação, autor de diversos livros sobre linguagem e imprensa sindical, incluindo o que deu nome ao painel. Vito iniciou dizendo que não poderia vir ao seminário por conta de outros compromissos, mas fez questão de participar por ser um evento do PSTU. Afirmou que o Opinião Socialista é muito bonito e tem um bom conteúdo, mas ressaltou que os vícios de linguagem certamente estão presentes no jornal. Vito deu exemplos de expressões comuns aos militantes, e que espantam o leitor.

Numa apresentação bem humorada, Vito defendeu uma linguagem acessível. Diante da constatação do próprio MEC de que 81% da população não concluiu o segundo grau e de que o tempo médio escolar é de 5 anos, é preciso “traduzir” a linguagem. “Se eu estou na Arábia, tenho que falar árabe para que me compreendam. Não estou rebaixando a linguagem, mas traduzindo”, explicou.

Oficinas
O seminário também foi uma oportunidade de transmitir conhecimentos específicos de algumas áreas, com as oficinas. Os participantes se dividiram entre as de fotografia, ministrada por Wladimir Souza, da Cromafoto, a de televisão, com Adelson Munhoz, da Movietrack, que produz os programas nacionais do PSTU, a de imprensa sindical, coordenada pela jornalista Ana Cristina, do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, e a de planejamento visual, com Rogério Marques, designer de Natal (RN).

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