O candidato a Deputado Estadual pelo PT no Paraná, Renato Freitas, teve a sua candidatura indeferida pelo TRE a pedido do MPF, um verdadeiro absurdo! A decisão não é definitiva e cabe recurso.

A luta contra o racismo não pode ser criminalizada. Lembramos que a perseguição a Renato começou depois do assassinato bárbaro do jovem congolês Moïse, na cidade do Rio de Janeiro. O movimento negro organizou atos país afora e em Curitiba não foi diferente: teve ato exigindo justiça. No final da manifestação, um grupo decidiu entrar na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos pela simbologia que isso significava: uma igreja construída em 1737 por negros escravizados, que não podiam entrar em outras igrejas naquela época de segregação. Porém, a entrada nela, pelos manifestantes, aconteceu depois que a celebração religiosa havia acabado e a mesma estava vazia.

O maior absurdo é que o espanto dos vereadores de Curitiba, majoritariamente brancos, não foi com um assassinato brutal de um jovem negro por ter ido cobrar sua diária de trabalho, mas sim com a manifestação que, simbolicamente, usava o espaço de uma igreja dedicada à população negra, para protestar.

Lamentavelmente, o assassinato de Moïse não foi um caso isolado. Hoje acontece um verdadeiro extermínio negro neste pais. A polícia entra atirando nas periferias das cidades deixando corpos espalhados pelo chão, 79% das vítimas das chamadas “intervenções policiais” são negras. 78% das vítimas de homicídio são negras. Jovens negros, entre 15 e 19 anos, são 81% das vítimas dessa violência letal. E as mulheres negras, além de serem 61,8% das vítimas de feminicídio, concentram os piores índices de qualidade de vida no Brasil.

Essa dura realidade não causa nenhuma comoção na reacionária Câmara de Vereadores de Curitiba, e nem na justiça, que dirá ser motivo para o surgimento de alguma medida concreta contra tudo isso.

As opressões são funcionais para o sistema. O capitalismo fomenta e utiliza as opressões para dividir a classe trabalhadora ampliando, assim, a exploração entre os oprimidos, levando a um aprofundamento desses elemento de barbárie em nossa sociedade.

Temos profundas diferenças políticas, mas estamos do lado de Renato contra essa perseguição racista!

Porém, alertamos: não podemos ter nenhuma confiança nas instituições deste sistema! É preciso apostar nossas forças na luta e organização da nossa classe para acabar com toda forma de opressão e exploração!

A nota do PT diz: “temos plena confiança que o Poder Judiciário não se intimidará e decretará a nulidade do processo de cassação ocorrido na Câmara Municipal de Curitiba”. Para nós, a tentativa de criar a ilusão, em meio ao movimento negro, de que a justiça burguesa e racista vai atuar contra a decisão da Câmara de Vereadores de Curitiba é um erro grave!

É a democracia, que o PT defende com unhas e dentes, que garante a manutenção da bárbara violência contra o povo negro, que coloca milhões na pobreza, que deixa milhões famintos, enquanto um reduzido número de bilionários brasileiros aumenta ainda mais sua riqueza.

Sem dúvida precisamos defender as poucas liberdades democráticas que temos hoje, pois Bolsonaro segue as ameaçando, mas para essa defesa o caminho é a mobilização e organização dos de baixo, especialmente os negros e negras deste país.

Pelo fim do genocídio da juventude negra! Prisão e condenação dos assassinos de Moïse!

Precisamos de reparação histórica ao povo negro para acabar com o racismo!

Temos que enfrentar os senhores da Casa Grande de hoje, o que significa que precisamos expropriar os bilionários desse pais!

Estatizar as grandes empresas sob o controle dos trabalhadores e parar de pagar a dívida pública aos banqueiros para ter dinheiro e, assim, garantir condições dignas de vida para toda a população trabalhadora, acabando, desta forma, com todas as opressões e a exploração. Como já dizia Malcom X: “não existe capitalismo sem racismo”!

Pela revogação imediata da cassação do mandato a vereador de Renato Freitas e imediata regularização de sua candidatura a deputado estadual de forma definitiva!

Basta de racismo!