PSTU participa da 17ª Parada do Orgulho LGBT e luta pela sua politização


Aconteceu nesse dia 2 de junho a 17ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Apesar do frio e da chuva, milhares de pessoas ocuparam a Avenida Paulista. Segundo a APOGLBT-SP (Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo), cerca de 3 milhões de pessoas participaram da parada. O cálculo da Polícia Militar foi de 1,5 milhão de participantes. Destacamos que estes números foram muito inferiores aos dos anos anteriores.

O PSTU também esteve presente. Com faixas e cartazes exigindo a criminalização da homofobia, igualdade de direitos e pelo “Fora Feliciano”, chamou a atenção de muitos participantes, que paravam para tirar fotos, pegar panfletos e elogiar tais iniciativas, demonstrando em comentários e rápidas conversas que a despolitização da Parada era um problema muito sentido.

Parada como palco de reivindicação:
Este ano, o tema da Parada foi “Para o armário, nunca mais!” que, segundo a organização do evento, significa que a luta por direitos iguais é um caminho que não retrocede. Para nós do PSTU, a realidade tem mostrado que as coisas, infelizmente, não têm sido bem assim. Apesar das recentes conquistas que, sem dúvida nenhuma, são muito importantes, como o direito ao casamento, os LGBT’s seguem enfrentando muito preconceito e discriminação. A violência homofóbica não para de crescer. A cada 26 horas uma pessoa é morta vítima de homofobia. Esse ano o número de assassinatos de LGBT’s foi 21% maior do que no ano passado. E cresceu 177% nos últimos 7 anos. O fato de a Parada seguir sendo organizada como um grande evento lucrativo, deixando de aproveitar todo potencial de reunir milhares que desejam combater o preconceito e exigir isso dos governos, é para nós também um retrocesso.

Além disso, a pauta do “Fora Feliciano” deu o tom político da parada. Inúmeras pessoas estiveram presentes reivindicando isso. O deputado foi citado em um trio elétrico. “[A Comissão de] Direitos Humanos não é lugar de homofóbico e racista. Fora Feliciano. Não nos representa”, dizia banner fixado na lateral do último caminhão. Ele também foi lembrado em cartazes levados pelo público. Um deles dizia: “Beijos, Feliciano. Agora eu posso casar!”, em referência à aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

Daniela Mercury
A presença de Daniela Mercury, que fez um show durante o percurso, foi o maior pólo de atração da Parada, pois, ao contrário de políticos e outras celebridades presentes, ela deu voz ao sentimento do público, repudiando Marco Feliciano e criticando o governo: "Se a gente já tirou um presidente, não é possível que o governo mantenha na comissão alguém que não nos representa”. Há muito que a maioria das grandes paradas abandonou a origem da manifestação, que surgiu em 1970 comemorando o Orgulho Gay no primeiro aniversário da Rebelião de Stonewall, em Nova Iorque, exigindo a ampliação de direitos e denunciando a discriminação promovida pelo Estado.

A necessidade de Politizar a Parada
Foram convidados para esta edição da Parada gente como  o governador Geraldo Alckmin (PSDB) que, de nosso aliado, não tem nada. Muito pelo contrário, é quem durante todo o ano promove a exploração e a opressão daqueles que não estavam em cima dos carros de som. Tampouco, outros como Fernando Haddad, Martha Suplicy ou ex-participantes de BBB são capazes de garantir mudanças concretas na vida daqueles que sofrem todo dia a homofobia. Esses senhores não representam a luta daqueles que hoje estão pagando passagens mais caras nos transportes de São Paulo, que acabaram de ser reprimidos ao fazerem greve pela educação municipal e estadual, ou que viram o kit anti-homofobia virar moeda de troca em negociata do Governo Federal para salvar o corrupto Palocci, quando Haddad era Ministro da Educação.

Uma manifestação com milhões de pessoas, que repercute mundialmente, poderia arrancar da Comissão de Direitos Humanos o símbolo do racismo, do machismo e da homofobia, que é Marco Feliciano. Poderia também pressionar o governo Dilma a garantir a criminalização da homofobia. Mas deixa de fazê-lo à medida que o tom carnavalesco substituiu a politização e que até a nossa luta é mercantilizada. É necessário dizer que “ Felicianos” à frente de instituições de combate à discriminação é o resultado de como este governo trata o amplo setor oprimido da sociedade e que a Parada não pode ser espaço para fortalecer ilusões. Infelizmente, temos mais a exigir do que a comemorar. A conquista dos nossos direitos vai ser feita por aqueles que não estavam em cima dos carros de som, mas que sofrem com a opressão e a exploração todos os dias.

Para nós do PSTU, é necessário resgatar o espírito de luta das paradas que não nasceram para ser palanque de políticos. Achamos que só a organização política dos LGBT é capaz de tirar as centenas de paradas que ocorrem no país da carnavalização para a combatividade.

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