PSTU Niterói e São Gonçalo

Nesta quinta-feira, dia 12 de agosto, o PSTU Niterói e São Gonçalo fez o lançamento do “Manifesto por uma alternativa classista e socialista para as LGBTIs”, realizando uma roda de conversa com o tema: “A revolta LGBT em Cuba e a luta das mulheres negras latino-americanas e caribenhas”. A atividade virtual contou com a presença de 30 pessoas. As falas de abertura foram de Raoni Lucena, Danielle Bornia e Dayse Oliveira.

Raoni ressaltou que o PSTU e a LIT sempre revindicaram as conquistas da Revolução Cubana, mas também criticam a direção castrista que limitou o alcance do próprio processo revolucionário. Apontou ainda que, a partir da restauração capitalista no Leste Europeu na década de 90, Cuba também passou por uma restauração capitalista e hoje o que rege a economia da ilha são as regras de mercado capitalista, totalmente dependente e subalterno ao imperialismo europeu e canadense. Assim, as manifestações de 11 de julho são levantes legítimos da classe trabalhadora empobrecida contra um governo que aplica um plano neoliberal que seria repudiado em qualquer país do mundo por qualquer ativista de esquerda honesto.

Danielle Bornia ressaltou a opressão sofrida pelos LGBTs em Cuba, o seu protagonismo nas mobilizações de 11J e a perseguição política combinada com LGBTfobia que têm sofrido essas companheiras. Danielle ressalta, ainda, que o protagonismo LGBT nas manifestações não é um fato isolado. Ao contrário, reflete um longo processo de luta, organização e questionamento do regime. Como exemplo, destacou as marchas LGBT’s independentes, ou seja, sem a autorização e tutela do Estado, que reúnem centenas de milhares de pessoas desde 2019, no marco da luta pela legalização da união homoafetiva.

Dayse Oliveira destacou que Cuba passou por processos históricos similares ao Brasil. Foi o penúltimo país a abolir a escravidão, enquanto o Brasil foi o último. Vivenciou um processo de estímulo à imigração como forma de “embranquecer” a população. Ou seja, possui, assim como o Brasil, raízes racistas fortemente fincadas em sua estrutura social. Em seguida, Dayse aponta que o castrismo deixou um legado terrível, derivado do stalinismo, para a luta dos setores oprimidos. A ideia de que, em nome da unidade de Cuba, todo debate de racismo e machismo era visto como algo que dividiria a “ilha socialista”. Ela cita, ainda, o trabalho da historiadora Gisele Cristina dos Santos, que identifica, além da desigualdade social historicamente associada a apertos étnico-raciais, a representação da mulher negra cubana, relacionada ao erotismo como forma de promoção de atividade turística.

Após rico debate, com a contribuição de 7 companheiros, o debate se encerrou com a leitura do “Manifesto por uma alternativa classista e socialista para as LGBTIs“.