Protestos continuam no Equador

A mobilização dos trabalhadores pela renúncia de Lucio Gutierrez já dura uma semana e reflete a insatisfação popular com um governo que, fruto do processo revolucionário de 2000, tem aplicado a ferro e fogo os planos neoliberais no país. As manifestações já atingem diversas regiões, com milhares de pessoas nas ruas de Quito, Guayaquil e outras importantes cidades.

Nesta terça-feira, uma nova marcha unitária percorreu Quito, às 17h, convocada pela rádio La Luna. Os estudantes têm participado em peso dos protestos, como os da Politécnica Nacional, que saíram en marcha na segunda-feira, depois de uma grande assembléia.

Desde o início da crise, o presidente Gutierrez tem sofrido sucessivas derrotas, mas insiste em permanecer no posto. Foi forçado a suspender o estado de emergência que visava reprimir os manifestantes e tolher as liberdades individuais, em Quito. Ontem, 18 de abril, o Congresso destituiu a Suprema Corte de Justiça, declarando inconstitucional o decreto de Gutierrez que a renovou em fins de 2004. A oposição parlamentar quer, agora, que seja iniciado um processo de impeachment do presidente.

Mas os equatorianos protestam não apenas por mudanças no corrupto sistema judiciário do país. A crise econômica resultante do neoliberalismo e da dolarização e a adesão do país ao Tratado de Livre Comércio (TLC) com os EUA são as verdadeiras razões do conflito dos últimos dias. Os trabalhadores querem que Lucio renuncie e demonstram grande repúdio às instituições burguesas. Como os argentinos em 2001, saem pelas ruas com palavras de ordem como “Lucio Fuera!” e “Que se vayan todos!”.

A Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie) finalmente anunciou ontem sua adesão ao movimento contra Gutierrez. A entidade apoiou a eleição do presidente em 2000, mas rompeu com Lucio poucos meses após o início de seu mandato, fruto de suas políticas neoliberais e imperialistas.