Professores e camponeses desafiam Estado de emergência no Peru

Após impulsionar uma luta heróica em defesa de seus direitos e por reajuste salarial, a greve dos professores destampou a luta de cerca de 2 milhões de trabalhadores dos setores agrário, judiciário e saúde, contando ainda com o apoio de pais e estudantes de todo o país.

Apesar da recusa da CGTP (Central Sindical Peruana) os trabalhadores impuseram uma verdadeira paralisação nacional contra o governo Toledo e os planos do FMI para o país.

O governo reagiu apelando com medidas ditatoriais idênticas às adotadas pela ditadura de Fujimori, decretando Estado de Emergência no dia 27 de maio. “A decisão de militarizar o país é uma resposta à absoluta incapacidade do governo de mudar o rumo de sua política econômica e sua decisão de se aferrar até o fim a um modelo econômico de submissão e entrega ao imperialismo”, explica o PST peruano em sua nota.

Mesmo assim, o movimento não se rendeu e saiu às ruas imediatamente após o decreto, contabilizando 59 feridos e um estudante morto durante as mobilizações.
Rejeitado por 92% da população, o governo não caiu porque boa parte da direção do movimento impediu a generalização da luta. Amarrados no Acordo de Governabilidade, um enredo de pacto social formado por empresários, partidos do regime, governo e pelo dirigente da CGTP Eduardo Castillo, o Acordo foi a tábua de salvação de Toledo.

Neste momento, completando um mês de uma duríssima greve que colocou em cheque o governo, os professores da Rede Pública de Ensino vivem nestes últimos dias um impasse.

Uma evidente traição ao movimento está sendo montada pelo Sindicato de Professores (SUTEP), ao assinar um compromisso com o governo de acabar com a greve sem consultar a base da categoria. “O único que temos de concreto é o mísero aumento de 100 soles (menos de U$ 30) oferecido inicialmente pelo governo e que já havia sido rechaçado pelas bases que decidiram continuar a greve (…). Inclusive o aumento continua não incluindo os aposentados e o setor administrativo. Neste ponto, a direção retrocedeu em sua própria exigência. (…) além disso, não se estabelece nenhum cronograma de negociações, no seu lugar só há uma declaração de vontade sujeita a ‘disposição de recursos’ (…)”, argumenta uma das professoras em greve.
O impasse continua com o amplo repúdio do movimento à atual direção de SUTEP, mas com parte dos ativistas confusos e desorientados pela direção que defende suspender a greve.

Quando fechávamos esta edição os professores realizavam uma assembléia decisiva.

Post author Yuri Fujita,
de São Paulo (SP)
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