Priorizar as lutas e não o parlamento

Nós entendemos as eleições como algo muito importante. Acreditamos que é possível afirmar um pólo de esquerda, e também eleger parlamentares, o que tem sua importância neste momento.

Entretanto, participamos das eleições para reforçar as lutas diretas dos trabalhadores e não apenas para eleger parlamentares. Através do parlamento, das eleições, não se pode mudar de verdade o país. Não se pode romper com o imperialismo, fazer a reforma agrária e acabar com o desemprego porque a burguesia tem e terá maioria no Congresso. Não se pode chegar ao socialismo através do parlamento, como se demonstrou em todo o século XX e neste começo do XXI.

Só através de uma revolução será possível mudar o país. Não podemos fazer a revolução hoje, mas para chegar lá um dia, vamos priorizar as ações diretas das massas, e não as eleições. A compreensão dos socialistas revolucionários sempre foi de que o parlamento pode ser um ponto de apoio importante (mas apenas um) para as lutas das massas que poderão levar um dia à revolução.

Quando discutimos isso com os companheiros da direção do PSOL, nos responderam que não é bem assim, dizendo que os exemplos da Bolívia e Venezuela demonstravam que as eleições foram o centro da luta política. Os companheiros confundem situações completamente diferentes. Na Bolívia e na Venezuela existem lutas muito mais avançadas. Como as insurreições que derrubaram dois governos na Bolívia ou a que derrotou o golpe venezuelano.

Essas condições forçam estes governos a ter um atrito limitado com o imperialismo, o que é completamente diferente do Brasil. Ou seja, a grande diferença entre o Brasil e estes dois países é a situação revolucionária ali vivida, e não as eleições. As próximas eleições no Brasil não vão mudar nada, nem o programa econômico, nem a corrupção.

Por outro lado, nem no Brasil, nem na Bolívia e na Venezuela, se poderá ir ao socialismo pelo parlamento. Se os companheiros da direção do PSOL têm dúvidas disso, o tempo dirá quem tem razão.

Por isso, defendemos que o programa eleitoral da frente diga que, embora sejam importantes as eleições, o fundamental é impulsionar as lutas diretas dos trabalhadores e estudantes. Os movimentos sociais estão cansados de serem apenas usados como máquinas eleitorais.

Alguns companheiros do PSOL dizem que a demonstração do equívoco de nossa posição são os resultados eleitorais do PSTU. Assim, ignoram os problemas enfrentados por quem lutou contra o aparato petista, quando ele estava ainda no auge. Os companheiros vão ter uma pequena mostra das dificuldades agora, ao ter o tempo eleitoral de poucos minutos, bem menor do que tinham antes no PT.
De uma forma ou de outra, não mudaremos nossa estratégia e nosso programa para conseguir mais votos.
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