Presidente da CUT é nomeado ministro do Trabalho

Sem o menor pudor, central governista tenta socorrer governo do mensalãoSe alguém ainda tinha dúvidas sobre o governismo da CUT, agora ele está estampado na cara do presidente da Central. Neste dia 8 de julho, o presidente Lula nomeou Luiz Marinho, presidente da CUT, para o Ministério do Trabalho. O cargo era ocupado por Ricardo Berzoini, que deverá retornar como deputado federal para o Congresso. O restante da reforma Ministerial também deve ser feito hoje.

A Força Sindical, tão governista quanto a CUT, também ficou feliz com a nomeação. Mais do que isso, o próprio Paulinho, presidente da Força Sindical ligou para o ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral) para pressionar pela indicação de Marinho.

Luiz Marinho, como presidente da CUT, apoiou, entre outras medidas, a reforma da Previdência e o salário mínimo de fome do governo Lula. Atualmente, a CUT realiza uma intensa campanha em favor da reforma Sindical e Trabalhista, que ameaça retirar direitos históricos dos trabalhadores. Caberá agora ao neopelego encaminhar a destruição de direitos como férias, 13° salário e FGTS.

Marinho é nomeado justamente no momento de maior crise política do governo federal. A cada dia a imprensa apresenta um dilúvio de corrupção que tem afundado o governo num verdadeiro mar de lama. Para socorrê-lo, Lula chamou a CUT, que, por sua vez atendeu prontamente. Assim que foi nomeado, Luiz Marinho, deu entrevista se auto-denominando um “soldado” de Lula. “Assumo com a missão de ajudar o governo a sair dessa crise. O cenário é o que leva a esse convite“, afirmou Marinho.

Sua nomeação visa impedir o avanço das mobilizações que começam a surgir contra o governo e a corrupção do governo do mensalão. Uma eclosão das lutas sindicais pelo país afora poderia mudar a conjuntura e ameaçar a “blindagem” em torno de Lula contra as denúncias, hoje assegurada pela grande impressa, pela oposição de direita e por Roberto Jefferson.

Essa tarefa já estava sendo ensaiada pelas direções governistas. Desde o início das denúncias, a CUT encabeçou, junto com o MST e com a UNE, um movimento para alardear a farsa do “golpismo”, tentado enganar a população e encobrir o mar de lama que toma conta do governo. Na “Carta ao Povo Brasileiro” essas entidades ainda tentavam criar uma imensa confusão na população ao gerar expectativas sobre uma “guinada à esquerda do governo”. Como já alertávamos, nada disso aconteceu. Pelo contrário, com a nomeação de três ministros do PMDB, o governo foi ainda mais à direita. Como se pode ver, Marinho andará em boa companhia pela Esplanada dos Ministérios.

A nomeação de Marinho oficializa a relação da CUT com o governo e com o Estado. A central abandona o projeto de apoiar “por fora” para se integrar diretamente ao governo. “Agora a gente muda o local da trincheira. Vamos para dentro do governo”, declarou Marinho, que só não disse que do outro lado dessa trincheira estão os trabalhadores.

A CUT, que já era governista, vira um departamento do governo no movimento sindical. Além disso, essa nomeação, bem como a postura de apoio ao governo na crise, avalizam a corrupção do governo Lula. Antes mesmo da nomeação de Marinho, os principais envolvidos nos escândalos eram justamente os oriundos da direção da central, como Delúbio, Marcelo Sereno e Gushiken. Com o estreitamento desses laços através da nomeação de Marinho num momento de crise, fica explícito o papel que hoje cumpre a CUT.

Por isso, hoje, mais do que nunca, é necessário romper com essa central governista. Mais do que um braço do governo no movimento sindical, a CUT está completamente integrada ao corpo do governo, transformou-se em um ministério. E esse corpo está afundado em corrupção. Já não se pode distinguir quem é CUT e quem é governo. E o movimento sindical combativo e conseqüente não pode vacilar diante disso. Mais do que nunca, essa central não fala em nome dos trabalhadores, fala em nome de um governo neoliberal!