Posse esvaziada inicia segundo mandato de Lula

A insípida cerimônia de posse deste segundo mandato de Lula expressou o desânimo da população com a continuidade do governo petista. Deixou clara a falta de escolha e a falta de esperanças com as quais os eleitores foram às urnas em outubro.

Na posse de janeiro de 2003, cerca de 150 mil pessoas ocupavam com muita festa a Esplanada dos Ministérios. Quatro anos depois, cerca de 10 mil pessoas, a maioria militantes e familiares, acompanhavam a segunda posse, mostrando que muito mudou nesse período e muitas ilusões estão desfeitas. O público presente ficou abaixo até mesmo das mais pessimistas expectativas dos organizadores, de 50 mil pessoas.

Apesar da ausência de muitos, a CUT não podia faltar. Além de sete tendas do PT na Esplanada, também havia uma tenda na qual a central governista vendia camisetas comemorando a vitória de Lula.

Nesta posse houve poucos aplausos, nenhuma palavra de ordem cantada de forma empolgada pelos presentes.

Diante da falta do apoio popular entusiasmado de quatro anos atrás, Lula fez um discurso como se ainda estivesse em campanha eleitoral. Falou sobre seus programas sociais, defendendo que esta política “nunca foi compensatória, e sim criadora de direitos“. Falou sobre milhares de empregos gerados, aumentos salariais estrondosos. Chegou a afirmar que “os trabalhadores obtiveram ganhos reais em 90% das negociações salariais nestes últimos quatro anos“. Discursou sobre uma realidade distante da que vive o país.

“Destravar“ e “desburocratizar“
Além de fazer propaganda e reiterar promessas, Lula falou efusivamente sobre crescimento econômico, sobre a estabilidade e os cortes de gastos. Numa mensagem clara aos grandes empresários, banqueiros e multinacionais, Lula reafirmou sua política econômica, prometendo aprofundá-la e acelerá-la.

Falou superficialmente das reformas, nomeando apenas a tributária e a política. Mas as entrelinhas de seu discurso deixam claro que as reformas que flexibilizam direitos são a chave para “destravar“ o crescimento. São o que ele chama de medidas “vigorosas de desburocratização“ da economia.

“Vamos destravar o Brasil para crescer e incluir de forma mais acelerada“, afirmou. Ele completa afirmando que é preciso “firmeza e ousadia para mudar as regras necessárias e avançar“.

Sem entrar em detalhes sobre seu conteúdo, Lula afirmou que anunciará até o final de janeiro o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Com ele, Lula pretende cumprir a previsão anunciada anteriormente, de crescimento de 5% do PIB.

Corrupção
O discurso de 37 minutos no Congresso Nacional também serviu para tentar tirar do seu primeiro mandato o rótulo de governo corrupto. Entretanto, ao contrário de prometer combate à corrupção, o discurso não se diferenciou da campanha eleitoral, continuando o argumento de que este governo foi o que mais combateu a corrupção.

Há quatro anos, o discurso de posse de Lula anunciava uma batalha contra a corrupção, para acabar com uma “verdadeira cultura da impunidade que prevalece em certos setores da vida brasileira”.

Em 2007, ele apenas afirmou que “o Brasil ainda precisa avançar em padrões éticos e em práticas políticas. Mas hoje é muito melhor na eficiência dos seus mecanismos de controle e na fiscalização sobre seus governantes. Nunca se combateu tanto a corrupção e o crime organizado”. Isso foi dito um ano depois de um ápice nos escândalos de corrupção que cobriram de lama o governo e o Congresso.

Crescimento para quem?
O anúncio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) é um aviso aos trabalhadores. As mudanças não serão para beneficiá-los, mas para aprofundar ainda mais os planos neoliberais no país, retirando mais direitos, arrochando mais os salários.

Em seu discurso, Lula afirma governar “para todos“, mas isso não é possível. Quando o governo promete aos empresários que vai destravar burocracias, quando promete aos organismos internacionais que vai cortar gastos para garantir o crescimento econômico, quem paga por isso é a classe trabalhadora.

Por isso, a falta de entusiasmo com a posse não significa que ataques não virão, ou que o governo pensará duas vezes antes de aplicá-los. Pelo contrário, significa que esta frieza precisa mais do que nunca se traduzir em lutas e mobilizações contra os ataques que estão por vir.

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