Porque é preciso ir a Brasília no dia 16

É preciso ir a Brasília no dia 16 porque as expectativas de amplas massas de trabalhadores e estudantes no governo Lula estão sendo traídas.

O plano neoliberal do governo FHC e da direita continua sendo aplicado e aprofundado pelo governo do PT. As mudanças prometidas na campanha eleitoral estão vindo, só que para pior.

É preciso ir a Brasília porque o crescimento econômico, a grande justificativa do governo para aplicar seus planos, está vindo junto com o aumento do desemprego e da fome do povo brasileiro. Ao contrário do que dizia a propaganda oficial.
É preciso ir a Brasília porque o salário mínimo de R$ 260 é uma vergonha. Os deputados que votaram nessa proposta foram os mesmos que aumentaram os seus próprios salários, bem acima do mínimo, diga-se de passagem. O presidente Lula, seus ministros e todos os parlamentares deveriam ser obrigados a viver com o salário mínimo para que sentissem na própria pele a miséria que impuseram aos que dependem desse salário.

É preciso ir a Brasília, dia 16, porque, enquanto os salários dos trabalhadores estão cada vez menores, os lucros dos banqueiros estão cada vez maiores. Os mesmos que dizem que não há dinheiro para a saúde e a educação e que impõem cortes absurdos nos gastos sociais, garantiram o pagamento de R$ 41,2 bilhões aos banqueiros em apenas quatro meses de 2004.

É preciso ir a Brasília, dia 16, porque a reforma agrária está paralisada. Este governo vem realizando menos assentamentos do que o governo FHC. Os dirigentes dos trabalhadores rurais continuam sendo assassinados e seus assassinos não são punidos. Enquanto isso, as grandes empresas rurais, representadas no governo pelo ministro Roberto Rodrigues, conseguem enormes lucros.

É preciso ir a Brasília porque as reformas Sindical e Trabalhista do governo vão piorar a situação atual dos trabalhadores. As direções das centrais sindicais vão poder decidir, em nome dos trabalhadores, sem consultar os sindicatos de base, sobre os acordos com os patrões para a flexibilização dos direitos trabalhistas. Conquistas históricas, como as férias, o 130 salário, a multa de 40% sobre o FGTS nas demissões sem justa causa, poderão acabar.

É preciso fazer uma grande manifestação porque nem a CUT nem a Força Sindical podem falar em nome dos trabalhadores. A CUT é uma central chapa branca, um braço do governo nos sindicatos. Apoiou a reforma da Previdência e, agora, as reformas Sindical e Trabalhista. A Força Sindical, pelega desde seu nascimento, apoiou Collor e FHC; hoje apóia as reformas e está aliada à oposição burguesa.
É preciso ir a Brasília, dia 16, porque a UNE também não pode falar em nome dos estudantes. É dirigida pelo PCdoB, que está no governo, e apóia a reforma Universitária. Esta reforma vai avançar na privatização das escolas públicas e financiar as privadas.

Precisamos fazer um grande dia de luta em Brasília, dia 16, porque não é possível que os trabalhadores e estudantes deste país fiquem parados vendo isso tudo acontecer. Não podemos deixar de lutar contra este governo, nem deixar que a oposição burguesa se construa novamente como alternativa para as massas. É necessário construir uma oposição de esquerda neste país. Por isso, é necessário irmos ao ato convocado pela CONLUTAS para exigir emprego, salário e terra já; para repudiar a ALCA e o FMI e lutar contra as reformas neoliberais.

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