Chega de irresponsabilidade com a vida dos trabalhadores!

Camilo Martin

Não podemos admitir que os governos sigam tratando com irresponsabilidade a vida dos trabalhadores. Para o transporte público defendemos imediatamente:

– Afastamento remunerado de todos os trabalhadores de áreas não essenciais, do setor público e privado, para redução das aglomerações no transporte público.

– Estabilidade no emprego e ampliação do tempo do seguro-desemprego com extensão deste direito aos subempregados.

– Operação reduzida do transporte público, garantindo funcionamento essencial para as necessidades da população, com plano de contingência e revezamento entre o quadro de funcionários.

– Licença remunerada imediata aos trabalhadores do transporte que são parte do grupo de risco, como idosos e gestantes.

– Licença remunerada imediata para averiguação de todos os trabalhadores que tenham sintomas da doença e também aos que precisem cuidar de filhos doentes.

– Garantia de estoque e disponibilidade de material de limpeza e higiene para população e funcionários nas estações de trem, metrô e terminais de ônibus.

– Suspensão de cobrança de tarifa e liberação das catracas em função do caráter essencial deste serviço e do potencial de transmissão pelas cédulas de dinheiro e moeda.

– Equipes de saúde de prontidão ao longo das linhas do transporte para atendimento e orientação aos funcionários.

– Ampliação da higienização e desinfecção dos trens da CPTM, ônibus e Metrô garantindo equipamento, quadro de funcionários e material adequado para resguardar a saúde dos trabalhadores da limpeza.

– Cabines ou balcões para informação e orientação garantindo distância segura entre funcionários e passageiros.

– Comitês de crise nas empresas formados por trabalhadores, suas organizações e técnicos da empresa com reavaliações sucessivas para novas medidas.

A recente declaração de pandemia do novo Coronavírus pela OMS (Organização Mundial de Saúde) coloca a necessidade imediata de que os governos adotem medidas para tentar minimizar a transmissão e qualificar o tratamento. Neste momento os casos não param de subir, são mais de 100 casos confirmados no país pelo Ministério da Saúde e a expectativa é de crescimento exponencial nas próximas semanas. É possível chegar, em quatro meses, a 45 mil casos de na Região Metropolitana de São Paulo e existem previsões da necessidade de cerca de 11 mil leitos de UTI, inexistentes neste momento.

Transporte público lotado: população e aos trabalhadores do transporte estão vulneráveis!

Pesquisas realizadas antes do surgimento do novo Coronavírus indicam que existe maior probabilidade de que passageiros que utilizam transportes com vagões superlotados venham a contrair doenças respiratórias. Seguindo este caminho, estudo da pesquisadora Lara Gosce, do Instituto de Saúde Global, alerta que usuários regulares do metrô estão mais propensos a sofrer sintomas semelhantes aos da gripe. São Paulo possui 3 das 10 linhas de metrôs e trens mais cheias de todo mundo, segundo pesquisa realizada pela Google Maps entre outubro de 2018 e junho de 2019. Todos os dias são realizadas 15,3 milhões de viagens no transporte publico da capital, só no Metrô são 5 milhões de pessoas.

O comprovado potencial de difusão do vírus se soma a problemas básicos e que expõe mais ainda a população que utiliza o transporte e os trabalhadores que atuam ai cotidianamente. Nos últimos dias, no Metrô, diversas denúncias de falta de água e de álcool gel ou uso de álcool gel vencido tem sido realizadas pelos trabalhadores ao Sindicato dos Metroviários. Um desrespeito.

Ajuste Fiscal destrói o sistema de saúde! É preciso medidas imediatas no transporte para ajudar a retardar a transmissão!

Até agora existe uma variedade muito grande no comportamento do vírus de país para país, reforçando a importância de medidas que busquem diminuir o ritmo e amplitude da transmissão do vírus, o que os especialistas tem chamado de “achatamento da curva de contágio”, para evitar a sobrecarga do sistema de saúde. Para se ter uma ideia, a OMS estima que a mortalidade média no mundo está ao redor de 3,5%, mas na Itália passa dos 6%, enquanto na Coreia do Sul é de 0,7%.

É muito provável que a epidemia em São Paulo, e em todo país, supere a capacidade de atendimento do sistema privado e, principalmente, do público, estrangulado por sucessivas medidas do ajuste fiscal ao longo dos últimos anos como o teto de gastos que só este ano cortou R$ 9 bilhões do orçamento federal da Saúde. Por isso é fundamental desde já buscar este “achatamento da curva de contágio” a partir de, entre outras medidas, um plano de emergência no transporte.

Dória e Covas seguem os passos de Bolsonaro e desrespeitam o povo!

Na contramão desta necessidade, as medidas tomadas pelos governos são completamente insuficientes ou sequer existem. Dória e Covas, assim como Bolsonaro, demonstram na prática total desrespeito com a vida e a saúde da população e dos trabalhadores do setor de transportes e se mostram mais preocupado em garantir o funcionamento normal do “economia” para garantir os lucros dos empresários.

Enquanto o ministro da saúde orienta a evitar aglomerações e Bruno Covas cancela por tempo indeterminado todos os eventos públicos pelo mesmo motivo, não apresentam nenhuma medida concreta para os transportes. Uma enorme contradição que brinca com a vida das pessoas. Seguem os passos cínicos de Paulo Guedes que não apresentou nenhuma medida de combate à doença no Congresso Nacional, a não ser seguir aprovando reformas que só fazem avançar a destruição dos serviços públicos e a retirada de direitos deixando as famílias dos trabalhadores ainda mais vulneráveis.

A vida acima do lucro: Por um plano de emergência contra a pandemia do coronavirus!

Apresentamos acima algumas primeiras medidas de um plano de emergência nos transportes, mas sabemos que é fundamental que ele seja complementado por várias outras medidas gerais que respondam as necessidades dos trabalhadores em todo país. Neste sentido, é preciso imediatamente revogar a antiga PEC de “teto de gastos” e suspender o pagamento da dívida pública para garantir que o orçamento público esteja à disposição para investimento pesado em prevenção e tratamento, como a construção de leitos de hospitais, espaços adequados para realização de quarentena e ampliação das equipes de agendes de saúde para orientação da população e de médicos e enfermeiros, etc.

Por outro lado, é fundamental garantir estabilidade no emprego, ampliação do seguro-desemprego, garantia da transparência nas informações de evolução da pandemia e congelamento dos preços de itens de primeira necessidade, para impedir que o aprofundamento da crise social construa situações cada vez maiores de vulnerabilidade. Não podemos deixar que o lucro de a última palavra sobre as nossas vidas.