Polícia reprime manifestantes durante nova greve geral na Grécia

Protestos avançaram pela noite de terça

Trabalhadores e estudantes promovem nova jornada de mobilizações em greve geral de 48 horas; votação do novo pacote está prevista para esse dia 29O centro de Atenas se transformou em uma praça de guerra nesse dia 28 de junho, terça-feira, no primeiro dos dois dias de greve geral convocados pelas centrais sindicais contra o novo pacote de cortes, previsto para ser votado nesse dia 29 no parlamento grego. Essa é a quarta greve geral no país só neste ano.

Portos, ônibus, trens, aeroportos, além de escolas e serviços públicos ficaram paralisados, só funcionando o metrô para transportar os manifestantes. A greve foi convocada pela GSEE, central que reúne os sindicatos do setor privado (com 2 milhões de filiados) e pela Adedy, entidade que organiza cerca de 500 mil trabalhadores públicos.

Os trabalhadores se uniram aos jovens acampados há um mês na Praça Syntagma, em uma nova jornada de protestos. Palavras-de-ordem como “não pagaremos a dívida”, “não às medidas de mercados” foram, mais uma vez, a tônica das manifestações. Logo após o início dos protestos, os manifestantes entraram em confronto com a polícia, que reprimiu o ato com gás lacrimogêneo. Ao menos seis manifestantes foram feridos, mas o número pode ser bem maior.

Votação decisiva
A aprovação do pacote que prevê brutais cortes no orçamento, nova rodada de privatizações, além de medidas como a redução em 25% dos servidores públicos e o aumento da jornada de trabalho, é pré-condição exigida pelo FMI e a União Europeia para a liberação da quinta parcela de 12 bilhões de euros do empréstimo, que deve totalizar 110 bilhões. Sem o acordo a Grécia não terá recursos para continuar pagando os juros de sua dívida pública, que totaliza cerca de 340 bilhões de euros.

O segundo plano de ajuste, cuja validade vai de 2012 a 2015, é na verdade um aprofundamento do pacote que começou a ser implementado no ano passado e prevê cortes de 28 milhões de euros no orçamento do Estado, arrecadação de 50 milhões em privatizações e a redução do déficit público em 1% até 2015. Atualmente, ele é de 11%.

A votação do novo pacote é vista como a mais importante após a redemocratização da Grécia, em 1974. “A única forma de evitar um default é a aprovação pelo Parlamento de um programa econômico revisado“, declarou nesse dia 28 o comissário para Assuntos Econômicos da UE, Olli Rehn. A chanceler alemã, Ângela Merkel também engrossou o coro para pressionar os políticos gregos a aprovarem as novas medidas recessivas, chegando até mesmo a chamar a “responsabilidade” a oposição no país.

Plano ameaçado
O primeiro-ministro grego, George Papandreou, por sua vez, mostra-se disposto a tudo para aprovar o novo plano de ajuste. O dirigente do Pasok já fez inúmeros apelos aos deputados e à população para a aprovação do pacote. Em uma malfadada manobra política, chegou até a oferecer o cargo para a formação de um governo de ‘unidade nacional´, em troca da aceitação incondicional dos termos definidos pelo seu governo e os organismos multilaterais para a implementação dos ajustes.

O principal partido de direita, Nova Democracia, porém, não aceitou e o plano fracassou, reduzindo-se a uma pequena reforma ministerial. O Pasok, continua contando com a maioria do congresso, com 155 de 300 parlamentares, o que vinha garantindo certa tranqüilidade à Papandreou e ao FMI para a aprovação das medidas. A pressão das ruas, no entanto, fez com que quatro dos deputados governistas se rebelassem, o que coloca em sério risco a aprovação do pacote

Plano de colonização
Em um discurso desesperado, Papandreou apelou ao “patriotismo” grego para a aprovação do pacote. Apelo irônico para o dirigente comprometido em aplicar um verdadeiro plano de colonização da Grécia em favor das potências europeias, como França e Alemanha. O plano visa a impedir que o país entre em moratória, o que quebraria bancos franceses e afetaria gravemente bancos alemães. O objetivo da UE é perpetuar a dívida pública grega, sob juros ainda maiores. De quebra, avançar nas privatizações e nos direitos trabalhistas.

O futuro da luta de classes e da crise econômica europeia está sendo decidido agora nas ruas de Atenas.

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