Polícia invade velório, atira e é rechaçada pelos sem-teto

Não contente em assassinar brutalmente pelo menos dois sem-teto, agredir e prender moradores da ocupação Sonho Real e destruir suas casas, a polícia invadiu o velório das duas vítimas, na tarde desta quarta, 17, para prender outros líderes do movimento. Armados, os policiais à paisana infiltraram-se enquanto os corpos de Pedro Nascimento Silva e Wagner da Silva Moreira eram velados pelos seus companheiros, na Catedral de Goiânia.

Quando investiram contra um dos líderes da ocupação, os policiais foram cercados pelos sem-teto, que impediram novas prisões. De armas em punho, os policiais atiraram para poderem escapar da revolta dos sem-teto e fugiram covardemente, se protegendo atrás de um cordão policial montado pela PM.

Execução – Vários testemunhos de moradores da ocupação dão conta que os dois sem-teto assassinados foram executados à sangue-frio pela polícia. Eles teriam sido almejados pelas costas e no peito quando já estavam rendidos. Marcas nos corpos apontam que poderiam estar amarrados na hora da execução.

Além disso, pelo menos 50 sem-teto continuam desaparecidos, o que pode elevar indefinidamente o número de mortos. Muitos moradores denunciam que outras pessoas teriam sido mortas e seus corpos jogados em cisternas. As denúncias provocaram uma visita de representantes do Ministério Público até o local, nesta quinta, 18, mas os procuradores não encontraram provas de mais assassinatos.

As famílias desocupadas estão alojadas precariamente em ginásios e na Assembléia Legislativa de Goiás. A polícia mantém o terreno da ocupação isolado. Alguns moradores estão conseguindo retirar móveis e objetos, sob a vigilância de policiais.