Greve de funcionários da UERJ enfrenta repressão

Servidores chamam um ato contra a reitoria, que quer cortar o ponto dos grevistas e ataca o sindicatoDepois de mais de oito meses de greve, os servidores da UERJ estão em um momento em que finalmente acontecem negociações com o governo. Mas, a possibilidade de vitória dos servidores incomoda a reitoria da universidade, que ataca e intimida os grevistas.

Os ataques vão desde o não-reconhecimento do Sintuperj como entidade legítima e representante da categoria, até o corte de ponto dos funcionários grevistas. Por isso, o movimento convoca todos os lutadores para um ato contra a repressão à greve dos trabalhadores da UERJ, na terça, 22 de fevereiro, às 14h, na UERJ. Após a concentração no Auditório 13, um ato seguirá até a reitoria.

Truculência – A administração Níval-Lauria tomou medidas para impedir que o Sintuperj acessasse um documento no Tribunal de Contas, impedindo assim o direito de ampla defesa e a transparência da administração pública. A reitoria argumenta que os servidores públicos não têm direito à greve, já que não existe regulamentação para esse direito constitucional. Em todos os processos judiciais, a reitoria argumenta que o sindicato não existe legalmente, pois não possui registro no Ministério do Trabalho.

Um dos momentos em que a reitoria utilizou este argumento estapafúrdio foi quando o sindicato contestava na Justiça a taxação indevida dos aposentados. Desta forma, tentam destruir um sindicato que existe política e legalmente, mesmo que para isso passem por cima dos direitos dos aposentados de forma inconstitucional.

No dia 15, a reitoria impediu, com uma liminar, que o Sintuperj promovesse a ocupação de qualquer espaço da universidade, sob risco de ter que pagar multa diária de R$ 1 mil. Foi uma tentativa de controlar a greve e a autonomia do movimento. No mesmo dia, a reitoria também informou que a universidade cortará o ponto dos grevistas.

Negociações – A reitoria tenta de todas as formas quebrar o movimento de greve, para que pareça que as atuais negociações não foram frutos da luta. Os ataques atingem não somente o sindicato e os grevistas, mas o conjunto do funcionalismo.

Porém, a greve dos servidores da UERJ já pressionou o governo de tal modo que o conseguiu marcar uma audiência com o secretário Antony Garotinho, que assume o papel de negociador em nome do governo Rosinha. O próprio Garotinho afirmou que o governo está disposto a avançar nas negociações.

A luta dos trabalhadores da UERJ conseguiu quebrar um longo período de silêncio por parte do governo. Agora mais do que nunca, é preciso barrar os ataques da reitoria, para que a greve atinja seus objetivos.

Solidariedade – Mensagens de repúdio aos ataques da reitoria e pela exigência do atendimento das reivindicações podem ser enviadas para o fax (21) 2284-5033.