Petróleo: a quem o governo Lula serve?

“Big Oil” podem ficar no azul aqui no BrasilA subida do preço do barril de petróleo é apenas a repercussão do crescimento econômico do capitalismo imperialista dependente do mercado financeiro.

Informe recente afirma que os Estados Unidos saíram tecnicamente da recessão com o crescimento de 3,5% de seu PIB em ritmo anual no terceiro trimestre de 2009, uma notícia classificada pela Casa Branca como “referência bem-vinda”. Barack Obama saudou o retorno do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano – um sinal de que “esta recessão está prestes a se dissipar”; mas preveniu que ainda resta muito a fazer para que a economia se restabeleça como um todo (Fonte: Agência IN – Investimentos e Notícias).

As Big Oil crescem a renda petroleira com a especulação financeira e o povo de todo o mundo é quem paga o pato. A Conoco Philips acaba de informar que teve lucro líquido de US$ 1,52 bilhão (US$ 1,0 por ação) no terceiro trimestre deste ano (2009), retraindo 70% em relação aos mesmos meses de 2008, quando registrou US$ 5,20 bilhões (US$ 3,39 por ação).

Apesar do declínio de 42%, passando de US$ 70,04 bilhões entre julho e setembro de 2008, para US$ 40,17 bilhões no mesmo período deste ano, a Conoco Philips continua crescendo sua renda petroleira com a especulação no mercado financeiro. De acordo com o comunicado, a extração total da Conoco Philips – incluindo as negociatas da Lukoil – no trimestre foi de 2,2 milhões de barris diários de petróleo em todo o mundo. Enquanto isso, a taxa de utilização da capacidade de refino de petróleo bruto foi de 90% (fonte: Agência IN – Investimentos e Notícias).

A Royal Dutch Shell também acaba de anunciar nesta quita-feira, 29 de outubro de 2009, que seu lucro no terceiro trimestre caiu 73%. O novo marco regulatório do petróleo do Brasil está sendo costurado também para a Big Oil Conoco Philips e Royal Dutch Shell, e o fundo social para garantir a saúde do mercado financeiro.

O projeto de lei do novo marco regulatório do petróleo do Brasil propõe a transferência de direitos exploratórios da Petrobras na área do pré sal para outras Big Oil, sem licitação.

De 2001 a 2007, a Conoco Philips, Chevron, British Petroleum, Shell e ExxonMobil, juntas, tiveram lucro de US$ 519 bilhões. E isso porque as Big Oil só detêm hoje apenas 7% das reservas mundiais de petróleo.

Mais de 77% das reservas mundiais de petróleo estão sob o domínio e controle estatal. As Big Oil podem ficar no azul, em termos de reservas, aqui no Brasil. Do campo de Azulão, localizado na bacia de Santos, 9,6 bilhões de barris de petróleo já pertencem a ExxonMobil e Hess. O campo de Azulão pode ter até 12 bilhões de barris de petróleo. A ExxonMobil e Hess detêm 80% da reserva do campo de Azulão, o filé mignon do pré sal ultraprofundo.

Segundo a avaliação de reserva da USGS em 2001, a bacia de Santos contém 41.761 bilhões de barris de óleo equivalente (bboe). Ou seja, 48% do total (ainda para achar – 87.285 bboe) do Brasil.

O novo projeto de entrega do governo Lula é para todo o conjunto constituído de 24 bacias sedimentares do Brasil, Vai funcionar para todos os pré e pós sais terrestres e de águas rasas, profundas e ultraprofundas.

A previsão de extração da Petrobras a partir de 2009 até 2020 é de 13,3 bboe que representa 15% da reserva total ainda para achar calculada pela USGS em 2001. “Coincidentemente”, os 5,0 bilhões de barris de petróleo para capitalizar a Petrobras correspondem a 6% da reserva total calculada pela USGS ainda para achar, totalizando 21%.

De toda a área do pré-sal ultraprofundo, 29% já foi leiloada. Sobra, por tanto, 71%. E 30% de 71% é 21%, completado com os 5,0 bilhões de barris de petróleo (400 bilhões de dólares, valor de hoje) subtraídos do tesouro do povo brasileiro e que serão usados para capitalizar os mega investidores nacionais e internacionais da Petrobras a preço de custo de extração (21,5 bilhões de dólares).

Para os mega investidores nacionais e internacionais, o preço de 5,0 bilhões de barris de petróleo (21,5 bilhões de dólares) é a preço de custo de extração, 4,3 dólares. O diferencial entre preço de venda e custo de extração é ZERO%. Mas, para o povo brasileiro os mesmos 5,0 bilhões de barris de petróleo valem 400 bilhões de dólares, hoje. Então, para o povo brasileiro o preço do barril de petróleo vale 1.760% acima do custo de extração.

Os anos 1990 foram marcados pelas privatizações das empresas estatais. Trinta por cento (30%) das ações da Petrobras passaram a ser negociadas na Bolsa de Valores de Nova York. E na Bovespa, hoje, 8% das ações da Petrobras são de propriedades de investidores estrangeiros. A burguesia brasileira tem cerca de 20% das ações da Petrobras. A União brasileira só detém 32% do estoque de capital da Petrobras.

Agora com a capitalização, é óbvio que o aumento de ações da Petrobras no mercado financeiro tem como objetivo atrair o capital internacional. E esse capital só vem se for para tirar proveito do brinde ofertado pelo governo Lula. A mesma condição é exigida pelas Big Oil, multinacionais petroleiras, na busca de concessões e partilhas.

Com isso haverá uma excessiva diluição das ações que a União ainda possui da Petrobras. Logo, a capitalização da Petrobras – a mais recente das Big Oil e uma das mais potentes do mundo hoje – que atua em 27 países, favorece nomeadamente os investidores de Wall Street (38%), em Nova York, nos Estados Unidos das Américas, e a burguesia nacional (20%). Ambas as burguesias já detêm 58% das ações da Petrobras.

Já está quase no final o processo de metamorfose da Petrobras estatal para Petrobras privada, igualando-se à ExxonMobil, Shell, British Petroleum, Chevron e Conoco Philips. A Petrobras já é a quarta maior produtora de petróleo por valor de mercado após a ExxonMobil Corp, PetroChina Co e Royal Dutch Shell. Esse é o verdadeiro motivo para a criação de uma nova empresa estatal, apelidada de Petro Sal ou Petro União, a fim de poder gerenciar apenas a entrega do último dos tesouros do povo brasileiro.

O preço do barril de petróleo hoje já alcançou, de novo, o patamar de 80 dólares. Ou seja, 1.500% acima do custo médio mundial de extração do barril de petróleo convencional que é de 5,0 dólares. No entanto, os 5,0 bilhões de barris de petróleo subtraído do tesouro do povo brasileiro para capitalizar a Petrobras valem somente 21,5 bilhões de dólares, considerando 4,3 dólares o custo de extração do barril de petróleo não convencional do pré-sal ultraprofundo.

Acumulando, de novo, excessiva especulação no mercado financeiro, 5,0 bilhões de barris de petróleo líquido cru valem 400 bilhões de dólares, 95% a mais do valor entregue aos mega investidores nacionais e internacionais. O governo Lula Pode, então, também usar o mesmo critério na venda do barril de petróleo, a preço de custo de extração do barril, para o consumo diário da imensa maioria da população do Brasil, extraindo também a especulação do barril de petróleo no mercado financeiro.

Os Estados Unidos extraem uma média de 5,2 milhões de barris de petróleo por dia e já está importando quase três vezes mais da extração doméstica. O preço do barril de petróleo para os Estados Unidos sempre está abaixo da metade do preço internacional. Então, para os Estados Unidos é retirada a parcela da especulação financeira feita pelas Big Oil.

Os Estoques de petróleo nos Estados Unidos avançaram 800 mil barris na semana encerrada no dia 23 de outubro, na comparação com a semana anterior, informou o Departamento de Energia dos EUA (DOE).

Os estoques chegaram a 339,9 milhões de barris. Em relação à mesma semana do ano anterior houve expansão de 29,8 milhões de barris nas reservas.

Já os estoques de gasolina apresentaram crescimento de 1,7 milhão de barris na comparação com a semana anterior, para 208,6 milhões. Em relação à mesma semana do ano passado houve avanço de 15,1 milhões. As refinarias dos Estados Unidos operaram com 81,8% da capacidade (Fonte: Agência IN – Investimentos e Notícias).

Novas refinarias devem ser construídas na América do Sul.

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