Petroleiros entram no 5º dia de greve para barrar a maior privatização da história do país

Terminal de Cabiúnas

A greve por tempo indeterminado da categoria petroleira segue forte em todo o país, com novas adesões em diversas unidades da companhia e incorporação de trabalhadores terceirizados e do regime administrativo na luta contra o leilão de Libra – agendado para esta segunda-feira (21/10). A categoria também luta para barrar o PL 4330 e por aumento de 16,53% no salário base. Pressionada, a companhia informou aos trabalhadores que já possui nova proposta. A hora é de intensificar os protestos.

No Litoral Paulista, a greve está cada dia mais forte. Após iniciar a mobilização com atrasos de três horas na entrada do turno, os trabalhadores decidiram avançar e se incorporar à greve por tempo indeterminado.

Desde sexta-feira (18/10) à noite, quando a rendição dos turnos foi cortada, a categoria está de braços cruzados. Estão paradas desde sexta-feira a RPBC, em Cubatão, o terminal Alemoa, em Santos, além do Tebar, em São Sebastião, e a UTGCA, em Caraguatatuba. Com exceção da refinaria, onde o grupo de turno permanece dentro da planta, nas demais unidades, a operação foi entregue ainda no sábado (19/10) para os grupos de contingência da companhia.

Nesta segunda-feira, houve novas adesões. Na RPBC, mais de 4 mil trabalhadores terceirizados entraram em greve contra o leilão, assim como mais de 80% dos empregados próprios de regime administrativo. No terminal Alemoa, nesta segunda-feira a greve também se manteve firme, com a adesão de 100% dos trabalhadores do ADM e, também, terceirizados. O mesmo ocorreu no terminal Pilões, em Cubatão. Ninguém entrou.

Nos prédios administrativos de Santos muitos trabalhadores sequer foram trabalhar. No Edifício Palazzo, na avenida Ana Costa, o Sindicato fez um ato de aproximadamente 30 minutos e a adesão à greve é parcial. Em alto mar, nas plataformas de Merluza e Mexilhão, na Bacia de Santos, os trabalhadores seguem desde sexta-feira à noite sem emitir PT (Permissão de Trabalho). Nenhum serviço de manutenção e operação estão sendo executados – com exceção daqueles necessários para garantir a segurança das unidades.

No Litoral Norte, a greve também segue forte desde o fim de semana, quando no Tebar (São Sebastião) e na UTGCA (Caraguatatuba) a operação foi entregue para os grupos de contingência. A adesão nesta segunda-feira, tanto entre os próprios de ADM, quanto entre os terceirizados, é de praticamente 100%. Na UTGCA, nenhum carro entra na unidade, com exceção daqueles que envolve serviços essenciais. Boa parte dos trabalhadores de turno e ADM se encontram na porta da unidade em um piquete que demonstra a disposição da categoria de lutar e vencer.

Em São José dos Campos, na Revap, os trabalhadores decidiram em assembleia nesta segunda-feira pela continuidade da greve, com adesão do turno e de parte do Administrativo como os empregados de manutenção, laboratório e outros. Na unidade de Gás de Taubaté, os trabalhadores também estão há cinco dias em greve. Na base do Sindipetro PA/AM/MA/AP, a base de Urucu está sem emitir PT desde quarta-feira e na Transpetro São Luis (MA) há paralisação de 50% do efetivo. Na Transpetro Belém (PA) e na sede Manaus (AM) a adesão é de 80%.

Na base do Sindipetro Alagoas/Sergipe, a greve também está ainda mais forte. Na sede da Rua Acre, a paralisação é de praticamente 100% e conta com o apoio de vários outros movimentos e sindicatos. Em Carmópolis, o campo terrestre permanece paralisado desde o dia 17, incluindo os finais de semana. Hoje pela manhã, os piqueteiros reergueram barricadas nas estradas e as estações de Saquinho, Desparafinação e Jericó continuam paradas.

A greve segue no mesmo ritmo na Fafen. Paralisação todos os dias, sem interrupções, também nos finais de semana. A Petrobrás manteve trabalhadores retidos por mais de 72 horas, em pleno cárcere privado; o sindicato acionou o Ministério Público do Trabalho e no domingo conseguiu liberar, aos poucos, alguns trabalhadores. Ainda no domingo, a Petrobrás tentou fazer um operativo com helicópteros para colocar trabalhador na unidade, sendo que a FAFEN nem mesmo possui heliporto – gerando alto risco, pois o local ainda tem muitas fiações.

Nesta segunda-feira, a mobilização da greve começa com ainda mais força e com o apoio da Federação dos Agricultores Familiares de Sergipe, filiada à CSP-Conlutas. O Cais do Porto, onde fica o terminal da Transpetro, está parado desde as 6h00 – afetando a produção. Em Pilar e Furado, a produção também está sendo parcialmente afetada desde o dia 17.

No Rio de Janeiro, o TABG segue parado, em greve, desde quinta-feira. O píer está operando com apenas navio e, nesta segunda-feira, um ônibus foi fretado para levar os trabalhadores ao protesto em frente ao local do leilão. Na Reduc, há trancaço e redução de produção. Em Duque de Caxias, em assembleia, a categoria votou por não receber a proposta da Petrobrás nesta segunda-feira.

Em Macaé, no Norte Fluminense, a mobilização iniciou logo cedo no Terminal Parque de Tubos, uma das bases da Petrobrás na cidade, onde trabalham cerca de seis mil trabalhadores. Todos os portões foram trancados e ninguém entrou. Operários das plataformas, que desembarcaram em adesão à greve e de outros terminais, como o de Cabiúnas, se somaram à mobilização.

A oposição petroleira do NF esteve em peso na manifestação, dialogando com os trabalhadores e a população que passava pelo local e denunciando esse ataque orquestrado pelo governo do PT – a entrega do campo de Libra de mão beijada às multinacionais.

Na ocasião, trabalhadores terceirizados denunciaram as condições de trabalho e as direções traidoras do movimento. Outro grupo seguiu de ônibus para o Rio ainda na madrugada, à 1h, para se somar ao ato organizado que seguirá em direção ao hotel Windsor, onde acontece a rodada de leilão, na Barra da Tijuca.

Nas bases da FUP, segundo informes da federação atualizados no domingo, a greve também segue firme. Na Bacia de Campos 42 plataformas estão em greve. Na Bahia, os campos de produção terrestre de Miranga, Bálsamo, Araçás, Taquipe, Buracica, Candeias e 22 poços do Ativo Norte também. No Rio Grande do Norte, estão de braços cruzados os trabalhadores de 22 plataformas marítimas e campos terrestres de Alto do Rodrigues, Campo do Amaro, Riacho da Forquilha, Base 34 e Campo de Estreito. No Espírito Santo, a greve envolve a estação Fazenda Alegre e SM-8.

Nas refinarias, estão parados os trabalhadores de Duque de Caxias (Reduc/RJ), Manaus (Reman/AM), Paulínia (Replan/SP), Mauá (Recap/SP), Mataripe (Rlam/BA), Gabriel Passos (Regap/MG), Paraná (Repar), Alberto Pasqualine (Refap/RS), Abreu e Lima (Pernambuco), Potiguar Clara Camarão (RPCC/RN) além da SIX (usina de Xisto/PR) e da FAFEN (fábrica de fertilizantes/BA).

Na Transpetro, a greve atinge os terminais de Solimões (AM), Suape (PE), Jaboatão (PE), Madre de Deus (BA), Campos Elíseos (Duque de Caxias/RJ), Cabiúnas (Macaé/RJ), Guararema (SP), Guarulhos (SP), São Caetano (SP), Barueri (SP), São Francisco do Sul (SC), Itajaí (SC), Guaramirim (SC), Biguaçu (SC), Paranaguá (PR), Osório (RS), Canoas (RS) e Rio Grande (RS).

Nas unidades de Gás, Biodiesel e Termoelétricas, estão paradas a Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas (UTGC/ES); malha do gás de São Paulo; usinas de Biodiesel da Bahia e de Montes Claros (MG); Termorio (Duque de Caxias), Termoeletrica Aureliano Chaves (MG) e Termoelétrica de Sepé Tiaraju (RS).