Petroleiros entram em greve na maior refinaria do país

Trabalhadores em greve da refinaria
João Zinclair

Trabalhadores da Replan em Campinas (SP) cruzaram os braços no dia 1 de marçoA maior refinaria de petróleo do país está em greve desde domingo, dia 1 de março. A Refinaria de Paulínia (REPLAN), localizada em São Paulo, na região de Campinas, é a principal refinaria do Sistema Petrobras, responsável pelo refino de 20% de todo o petróleo processado no país. A greve é contra a suspensão do pagamento de hora-extra nos feriados para os operadores de turno que entraram no sistema Petrobras a partir de 1999. Os trabalhadores estão determinados a seguir com o movimento até a sexta, dia 6. No entanto, há um forte indício de que, com o fortalecimento da greve a partir das mobilizações que estão surgindo nas bases petroleiras do país inteiro, o movimento se estenda por prazo indeterminado.

A adesão à greve é de 100% no turno e no administrativo, inclusive com a participação dos companheiros terceirizados. Diariamente ocorrem piquetes nas 14 portarias e nenhum petroleiro entra. No dia 3, numa tentativa de enfraquecer a mobilização a empresa alugou três helicópteros para levar trabalhadores para dentro da refinaria. Mais uma atitude irresponsável que colocou em risco a vida dos trabalhadores e o próprio patrimônio da empresa.

Entretanto, o que se vê é uma forte luta unitária desses trabalhadores contra o corte de direitos. A Frente Nacional Petroleira (FNP) e seus sindicatos ressaltam aos trabalhadores que é importante a categoria estar atenta para resistir. Em nome da crise a Petrobras está disposta a cortar ainda mais os direitos e salários, enquanto concede benefícios para fornecedores e novos patrocínios, como os dois blocos afros da Bahia, que ganharam R$ 1,2 milhão este ano. Algo que deixa claro que a Petrobras só está preocupada com seus lucros e não com a categoria é que este ano o adiantamento da PLR foi negado aos trabalhadores, um verdadeiro contrasenso, já que a empresa obteve lucros recordes no ano de 2008.

Portanto, o Sindipetro PA/AM/MA/AP se solidariza e fortalece a luta dos companheiros da Replan e convoca os trabalhadores de todas as unidades desta base a se organizarem em seus locais de trabalho contra o corte de direitos que está sendo implementado pela Petrobras. Para discutir e definir os rumos da luta, amanhã a FNP realizará uma reunião com seus sindicatos, em São José dos Campos (SP), para avaliar a greve e rediscutir o calendário de mobilizações que já havia votado pelos trabalhadores em assembléias de base. A partir dessa reunião será definido um indicativo geral de mobilizações para a categoria.

Precisamos definir uma forma de mobilização para juntarmos força nessa importante luta que está sendo travada a nível nacional pelo movimento petroleiro. É necessário que façamos de imediato o corte de emissões de permissões de trabalho (PT´s) e atrasos de turno e administrativo em todas as unidades, mostrando a nossa solidariedade e insatisfação com a política de ataque aos trabalhadores feito pela empresa. Reafirmamos a disposição em seguir na luta até que a Petrobras reveja sua postura intransigente. Todos à luta companheiros!

*jornalista do Sindicato dos Petroleiros de Belém (PA)