Petrobras mantém trabalhadores em regime semi-escravista

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Roberto Aguiar

Enquanto o preço do barril do petróleo chega a US$ 100, a Petrobras mantém trabalhadores terceirizados quase sob regime escravista. A empresa, que é uma das maiores petrolíferas do mundo, utiliza avanços tecnológicos para localizar novas reservas de hidrocarbonetos e analisar o potencial dos reservatórios maduros.

Isso é feito por equipes sísmicas que fazem o trabalho de campo. Há duas fundamentais: a ES-26 e a ES-27. A primeira atua na região de Sergipe e a segunda, no Recôncavo Baiano. Seus trabalhadores são chamados de “geofisqueiros”, a maioria deles terceirizados. Na E-26, há 59 funcionários da Petrobras e 423 contratados pela “gata” Georadar, que pertence a geofísicos aposentados da Petrobras.

Estes trabalhadores são submetidos a uma jornada de trabalho de dez horas por dia, regime de confinamento de até 60 dias por nove de repouso, dormem em alojamentos insalubres – chamados de “senzalas” -, em condições desumanas e humilhantes. São contratados por prazo determinado, geralmente de 90 dias (contrato de obra certa).

Por isso, entraram em greve no dia 14 de novembro, pararam e chamaram a direção do Sindipetro de Alagoas e Sergipe para apoiá-los. A reivindicação fundamental é o cumprimento das leis trabalhistas. A Petrobras deveria assinar as carteiras de trabalho desses trabalhadores, assim como de todos os terceirizados que hoje representam mais de dois terços dos petroleiros do país.

Com a greve, a Petrobras, ao invés de negociar, solicitou o pelotão de choque do governo Marcelo Deda (PT-SE) para reprimir os trabalhadores. Os policiais chegaram no dia 26 e esvaziaram o acampamento. Mesmo assim, estes trabalhadores petroleiros terceirizados continuam em assembléia permanente e não voltaram ao trabalho, enfrentando-se com a truculência do governo Lula, que coordena a Petrobras, e do governador Marcelo Deda, defendendo trabalho igual salário igual e o fim das terceirizações.

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