Pelé Eterno, do diretor Aníbal Massaini Neto, conseguiu reunir imagens incríveis, com as melhores jogadas de Pelé, até mesmo aquelas que ninguém jamais havia visto, num documentário empolgante. A maior parte do tempo é Pelé em campo, fazendo diabruras. Uma mistura de técnica e ginga com um condicionamento físico excepcional e muita visão de jogo (como diz o locutor, Pelé sempre jogava de cabeça erguida).

Pelé começou sua carreira numa época em que o futebol era diferente. Os clubes ainda não haviam se tornado grandes empresas, não moviam milhões como hoje.

A estrutura narrativa do documentário agrupa as imagens por tema. Primeiro, passa todas as jogadas engenhosas do craque, numa seqüência de tirar o fôlego. Depois, o tema é a violência: imagens chocantes de marcação dos adversários tentando anular Pelé. Por último, cenas de amor explícito por parte dos torcedores. Algumas antológicas, como num jogo na Colômbia em que o juiz expulsa Pelé, mas é obrigado a trazê-lo de volta tamanha a ira da torcida. Ou no Congo, quando duas cidades em guerra decretam trégua só para ver Pelé jogar.

Quer saber? Para quem gosta de futebol, ou seja, 90% dos brasileiros, o filme é imperdível!

Fora de campo, no entanto, Pelé é o oposto, sendo parte da burguesia brasileira. Empresário, acusado de negócios fraudulentos, ligado a empresas norte-americanas a tal ponto que chegou a defender a realização da Copa do Mundo nos EUA e não no Brasil. Ainda hoje, é “usado” pela ONU para engambelar as massas.

No filme, Pelé diz, quase chorando, que sente orgulho de ser negro. Seu prestígio e suas jogadas maravilhosas não o protegeram de manifestações racistas. “Macaco fdp!”, gritava a torcida do Boca Juniors quando ele entrou em campo no estádio La Bombonera, em Buenos Aires, em 1962. Mas já pisou muito na bola. O auge de sua carreira nos gramados coincidiu com o auge da luta dos negros nos EUA. Martin Luther King e Malcolm X foram assassinados, Mohammed Ali se recusou a lutar no Vietnã e Pelé não só não deu seu apoio à luta dos Panteras Negras nos EUA e aos ativistas do movimento negro no Brasil, como dedicou a Copa de 1970 à ditadura militar.

Post author Cecília Toledo, da redação
Publication Date