Pela estatização dos bingos

Para tentar sair da defensiva, tirar o foco do escândalo de corrupção e abafar uma possível CPI, o governo editou uma Medida Provisória proibindo os bingos em todo o país. Com isso, espera criar na população a percepção de que não tem o rabo preso com os bingos.

Por outro lado, a Força Sindical e também entidades esportivas pedem pura e simplesmente a reabertura, apoiando-se no drama dos trabalhadores das 1.100 casas de bingos que, de uma hora para outra, estão no olho da rua.

Os que defendem a MP alegam que os bingos devem ser fechados porque, por trás das máquinas e bolas coloridas, há diversos meios para legalizar o dinheiro do tráfico, da dilapidação do erário público etc. Enfim, são usados em larga escala para lavagem de dinheiro e pelo crime organizado, sendo, aliás, atividades ligadas às máfias.

Mas o fechamento dos bingos não vai acabar com tal lavanderia. Fomentará ainda mais as máfias, ao colocar tal atividade na ilegalidade. Essa medida, portanto, do ponto de vista de coibir o crime organizado e a lavagem de dinheiro é inócua. Além de jogar no mesmo saco corruptos e mafiosos donos de bingos com jogadores e trabalhadores.

Se o governo quisesse realmente enfrentar o crime organizado, deveria investigar até o fim esse escândalo e outros, como o do Banestado, bem como acabar com as contas CC-5 e instituir o controle de capitais. Deveria fazer também uma verdadeira devassa nas contas, prender todos os corruptos e estatizar todos os bingos, colocando-os sob controle público. Tal medida fecharia uma das torneiras da lavanderia Brasil, garantiria o direito ao lazer de uma parcela da população e também milhares de empregos.

Post author Mariúcha Fontana, da redação
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