Patrões lucraram muito no crescimento. Agora, falam de crise para ganhar mais

A todo momento os trabalhadores assistem declarações do governo sobre como “todos” estão ganhando com o crescimento da economia. Mas será que os trabalhadores estão ganhando mesmo?

Os balanços das empresas e dos bancos mostram outra realidade. Os capitalistas batem recordes de lucros, enquanto os trabalhadores estão ganhando menos e trabalhando mais. A verdade é que a fatia deste bolo, para os trabalhadores, tem sido muito pequena. Agora, os patrões vão falar da crise econômica internacional, para reduzir ainda mais essa parcela.

Patrões lucram como nunca
Nos últimos anos, o crescimento da economia foi sustentado por uma enorme superexploração dos trabalhadores. A produção aumentou, mas não na mesma proporção de novas contratações. Ou seja, os trabalhadores estão cumprindo jornadas infernais para reduzir o custo do trabalho para a indústria.
Em 2010, as 500 maiores empresas sediadas no Brasil, segundo a Revista Exame, alcançaram, em vendas, 1,3 trilhão de dólares, um crescimento de 9,5%, em relação a 2009. Os lucros destas mesmas empresas aumentaram em 31% entre 2009 e 2010, três vezes o crescimento chinês, totalizando lucros que alcançaram 86,7 bilhões de dólares.

Segundo os cálculos do Ilaese, cada um dos 2.874.961 trabalhadores destas empresas gerou uma riqueza para seus patrões no valor de pouco mais de US$ 452 mil dólares. Ou seja, o Brasil é um dos países onde mais os capitalistas lucram, apesar de toda choradeira dos patrões sobre o elevado “custo Brasil”, cujo objetivo é explorar ainda mais os trabalhadores destruindo seus direitos.

Na construção civil, segundo os cálculos do Ilaese, os salários pagos pelas 7 maiores empresas do setor representam apenas cerca de 5% do seu faturamento. Isso representa uma brutal superexploração dos trabalhadores. O caso da GAFISA, a maior empresa de construção do país, é exemplar. Em 2009, a GAFISA faturou 3,14 bilhões de reais, com 12.199 funcionários, dos quais 7.738 são terceirizados. Pois bem, cada trabalhador rendeu para a empresa R$ 259 mil, enquanto o gasto anual com este trabalhador foi de pouco mais de R$ 24 mil.

Já na fábrica da General Motors do Brasil, entre os anos de 2000 e 2008, o custo da folha salarial representou somente cerca de 8% do faturamento da empresa. O gasto maior da GM foi com máquinas, equipamentos e matérias-primas. Só em São José dos Campos (SP), entre 2008 e 2009, cada trabalhador da planta rendeu mais de 1 milhão de reais. Mas o gasto da empresa com este trabalhador alcançou somente 87,8 mil reais em 2009, segundo um estudo do Ilaese. Com tamanha superexporação, não surpreende que as montadoras no Brasil sejam uma das mais lucrativas do mundo. Segundo uma pesquisa feita pelo banco de investimento Morgan Stanley, da Inglaterra, o lucro das montadoras instaladas no Brasil chega a ser três vezes maior do que a de outros países.

O Brasil cresceu. Eu quero o meu!
Em 2011, o governo prevê um crescimento do PIB em 4%. Isso significa que os empresários vão continuar faturando alto, mas vão se utilizar da crise econômica mundial para chantagear os trabalhadores, para não dar aumento real nas campanhas salariais. Muitos, certamente, vão ameaçar com mais demissões, como em 2008-2009.
A crise foi a desculpa utilizada pelas empresas para demitir trabalhadores, e depois recontratar outros com salários menores. Hoje, existem muitos trabalhadores que foram demitidos em 2009 e, depois, foram recontratados pela mesma empresa, porém recebendo a metade do salário que ganhavam antes.

Os trabalhadores não podem cair nessa conversa. Nesta campanha salarial os trabalhadores têm a oportunidade de virar este jogo. O país está crescendo só para os bancos e grandes empresas, enquanto isso os trabalhadores ficam cada vez mais endividados e a exploração só aumenta. Vamos pegar a nossa parte do bolo!
É preciso dar um basta no arrocho salarial, no aumento da exploração e do ritmo de trabalho. Por isso, é preciso ir à luta, unificar as campanhas salariais e dar uma resposta contundente na Jornada Nacional de Lutas de 17 a 26 de agosto, chamada pela CSP- Conlutas e outras entidades (ver página 12), cujo slogan é: “Se o Brasil cresceu, trabalhador quer o seu. Dilma é hora de dividir o bolo!”
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