Bancos: lucros absurdos, salários de fome

O aumento do lucro dos bancos se tornou uma rotina durante o mandato de Lula (veja gráfico ao lado). Enquanto os bancos ganhavam R$ 34 bi, nos dois governos de FHC; nos dois mandatos de Lula atingiram R$ 170 bilhões, ou seja, aumentaram em 550%, segundo a consultoria Economática. No ano passado, mais uma vez, os bancos quebraram mais um recorde. O Bradesco anunciou um lucro de R$ 5,5 bilhões, 22% maior em relação ao mesmo período do ano passado. O Itaú Unibanco obteve R$7,1 bilhões e o Santander R$ 4 bilhões, o que significa 25% do seu lucro mundial. Essa dinâmica vai se manter com Dilma.

Por outro lado, a situação dos trabalhadores do setor é bem diferente. O ritmo de trabalho e o assédio moral aumentaram como nunca. Mais da metade da categoria cumpre uma jornada de trabalho bem acima das 30 horas semanais, segundo o DIEESE.

O resultado é um grau de adoecimento nunca antes visto. E os salários, por outro lado, estão cada vez mais arrochados. Segundo estudo da FEBRABAN (Federação Nacional dos Bancos), o total de operações realizadas pelo sistema financeiro cresceu 85,6%, entre 2000 e 2006, passando de 19,8 bilhões de operações para 36,7 bi. No mesmo período, a rede de atendimento dos bancos teve um crescimento de 148 % e a de correspondentes bancários, 431,9 %.

Já as perdas salarias são de 98,62%, na Caixa Economica Federal; 86,68%, no Banco do Brasil e 26%, nos bancos privados. Um exemplo das perdas pôde ser visto na diferença salarial entre os bancários da Nossa Caixa e os do Banco do Brasil, após a incorparação do primeiro banco ao segundo, em 2009. A incorporação mostrou que os salários dos bancários da Nossa Caixa são maiores que os do BB, pois eles mantiveram o seu PCS (Plano de Cargos e Salários) até o momento da migração, enquanto os do BB já o perderam na década de 90. Os bancários da Nossa Caixa terão achatamento salarial, pois perderam o antigo PCS na migração.

Passado e presente
Se, no passado, ser bancário significava uma profissão prestigiada e cobiçada por muitos (pois até mesmo com um salário de escriturário era possivel sobreviver) hoje, a situação é bem diferente. Uma pesquisa de emprego bancário, apresentada pelo Dieese, mostra que a grande rotatividade do emprego rebaixou os salários.

Aproximadamente 65% das admissões no primeiro trimestre estão concentradas entre 2 e 3 salários mínimos enquanto os 75,44% dos desligamentos eram superiores a 4 mínimos.
Só nos primeiros três meses de 2011, os bancos desligaram 8.947 trabalhadores, apesar de gerarem 6.851 novos empregos, segundo o Dieese. O fenômeno ocorre em função da situação de precarização do setor. O perfil da maioria dos novos contratados (70%) é de jovens entre 18 e 24 anos. E são as mulheres que ganham os piores salários. A diferença da remuneração média entre homens e mulheres aumentou para 24%.

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