Passeata contra a Alca e o FMI abre o Fórum Social Brasileiro

Mesmo sob uma chuva intermitente, cerca de cinco mil pessoas participaram de uma passeata no primeiro dia do Fórum Social Brasileiro, nesta quarta-feira, em Belo Horizonte. A marcha percorreu as principais ruas da cidade e terminou em um ato na Praça da Assembléia Legislativa. Faixas, cartazes e palavras de ordem contra o Fundo Monetário Internacional e a Alca predominaram entre os manifestantes.

Apesar da distribuição farta de bandeiras do PT, o presidente nacional do partido, José Genoino, foi vaiado enquanto discursava no carro de som, ainda na concentração.
O vendedor ambulante Carlos Roberto dos Reis estava revoltado.”Eu fico indignado porque a gente achou que era uma coisa, mas o sonho acabou muito rápido. Um mundo de empregos que ele falou que ia implantar e até hoje não fez nada. Eu não espero mais nada do Lula”, desabafou.

As palavras de ordem “Lula, eu quero ver, o plebiscito sobre a Alca acontecer” e “O povo tá na rua, o povo tá aqui. Lula, rompa com o FMI” foram chamadas pelos cerca de 300 militantes do PSTU e foi acompanhada por muitos.

Uma das principais diferenças deste encontro com o 3º FSM em janeiro é a participação de representantes do governo Lula. Em Porto Alegre, Lula e toda cúpula petista participaram em peso. Agora, em Belo Horizonte, apenas alguns nomes de pouca expressão vão dar as caras. “Era muito fácil para o PT, com vinte dias de governo, chegar e dizer ‘com meu governo vamos construir este Brasil diferente que todos nós queremos’. O problema é que após quase um ano, ele continua a implementar a política econômica de seus antecessores, então, fica difícil vir aqui e fazer o mesmo discurso“, diz o presidente nacional do PSTU, José Maria de Almeida.

Novo Partido

Segundo Zé Maria a expectativa é “reunir alguns milhares de militantes de movimentos sociais de todo país para avaliar o quadro político brasileiro e, a partir daí, fortalecer a organização e a mobilização para lutar contra as políticas neoliberais implementadas pelo governo Lula“.

Belo Horizonte vai ser palco ainda do debate sobre a formação de um novo partido de esquerda no país. “Vamos aproveitar a presença de militantes aqui em BH e realizaremos sábado à tarde uma plenária que dará prosseguimento ao movimento por um novo partido. Vamos tirar uma coordenação nacional para que a campanha ganhe corpo. Queremos construir um partido com base em uma discussão democrática entre todos.”, disse.