Paraguai: Blanca, Lugo-PLRA, Oviedo e Fadul mentem para o povo

Em carta aberta, o Partido de los Trabajadores diz que os quatro candidatos, apresentados como os únicos presidenciáveis pela imprensa comercial, mentem descaradamente para o povo paraguaioNas eleições do próximo dia 20 de abril, uma vez mais, os projetos políticos que respondem aos interesses dos poderosos (aqueles que podem pagar milhões de dólares em publicidade) se apresentam como os “salvadores” do povo paraguaio.

Blanca Ovelar (Partido Colorado), representante do continuísmo de Nicanor e colorado; Oviedo e seu projeto ditatorial; a aliança que encabeça Lugo-PLRA, que se apresenta como “o novo” e gera simpatia em amplos setores populares; todos nos enchem de promessas de todo tipo ao longo de suas multimilionárias campanhas. Nós, do Partido dos Trabalhadores (PT), sustentamos que esses candidatos mentem descaradamente ao Povo paraguaio.

Mentem quando falam de uma reforma agrária que beneficiará o país. Mentem porque uma verdadeira reforma agrária que favoreça os camponeses pobres e o povo, não poderá ser implementada enquanto não se erradique o modelo latifundiário e agroexportador baseado na monocultura da soja. Sobre isso, todos os candidatos sustentam que seguirão “garantindo as condições favoráveis para os investimentos estrangeiros” e para “tranqüilizar” os grandes latifundiários, oligarcas e empresários sojeiros, dizem que vão garantir a propriedade privada.

Mentem quando dizem que apoiaram as reivindicações dos camponeses pobres. Neste momento, o dirigente camponês Tomás Zayas e outros lutadores vêm sofrendo uma feroz perseguição política por parte dos barões da soja que instrumentalizam o Ministério Público e a Justiça para seus interesses. A perseguição a Tomás Zayas se dá por causa de sua luta a favor dos camponeses do Alto Paraná que vêm resistindo ao uso de agrotóxicos que envenenam as famílias camponesas. Algo que, apesar de ser um fato público, de conhecimento geral, nenhum dos quatro candidatos se dignou a se pronunciar a respeito.

Mentem quando falam de uma reforma do Estado a serviço do povo. Mentem porque suas propostas estão orientadas para as privatizações das empresas públicas, que não é outra coisa senão a entrega do patrimônio nacional ao capital estrangeiro. Alguns desses candidatos se manifestam abertamente e outros – como Lugo – se disfarçam com o conceito de “capitalização das empresas públicas”. As privatizações representam um componente fundamental do modelo neoliberal que levou à bancarrota a maioria dos países da região, como o caso da Argentina na época de Menem.

Mentem quando falam que impulsionaram a reativação econômica. Mentem porque para todos eles, a reativação econômica passa por blindar as garantias jurídicas aos investimentos estrangeiros. A solução não passa por esta via. O Paraguai é o país que maior investimento estrangeiro recebeu nos últimos anos, que esteve longe de favorecer o país, saqueado as riquezas de nosso povo.

Além disso, as “garantias para os investimentos estrangeiros” significam maior flexibilização trabalhista, o que implica em mais violações dos direitos trabalhistas, perdas de conquistas históricas da classe trabalhadora, em síntese uma maior exploração.

Mentem quando falam de recuperar a soberania hidroelétrica, induzindo o povo a acreditar que isto se conquistará mendigando através de uma simples negociação diplomática. A Renegociação do Tratado de Itaipu só pode ser atingida com a mobilização do povo paraguaio, que deve conquistar a solidariedade do povo trabalhador brasileiro, que estamos seguros saberá compreender a necessidade de restituir ao Paraguai seus diretos históricos sobre a hidroelétrica.

Mentem ao próprio sistema eleitoral que todos eles defendem como “democrático”; um jogo de cartas marcadas onde só “aparecem” os partidos que mais tem dinheiro em suas campanhas. Um mecanismo que sequer pode garantir resultados transparentes e o respeito à vontade popular.

O PT apresenta uma proposta oposta
Queremos impulsionar um Plano Nacional de Desenvolvimento a serviço dos setores explorados e oprimidos do nosso país, sobre a base das reivindicações Terra, Trabalho e Soberania. Com uma reforma agrária radical, que erradique o atual modelo agroexportador e confisque todos os latifúndios para devolver aos camponeses suas terras através de uma redistribuição racional.

Só assim poderemos conquistar uma verdadeira reforma agrária que impulsione um novo modelo de produção agrícola diversificada e agroecológica, com a utilização sustentável dos recursos naturais e energéticos.

Sustentamos que a reativação econômica não virá das mãos dos investimentos estrangeiros com os quais só se promove a entrega de nossa soberania ao capital internacional. Virá de uma intervenção decidida na economia por parte de um Estado a serviço da classe trabalhadora.

Tudo isso poderá ser possível se aplicamos medidas de fundo como: não-pagamento da dívida externa, confisco dos bens dos corruptos, eliminação dos subsídios aos partidos políticos, redução do orçamento das Forças Armadas, renegociação dos tratados de Itaipu e Yacyretá, impostos e taxações das grandes propriedades e das grandes fortunas, estatização do sistema financeiro e do comércio exterior.

Nós do Partido dos Trabalhadores sustentamos que, apesar de o Paraguai estar submetido à espoliação imperialista, que provoca um processo de recolonizacão de nosso país, será impossível impulsionar um verdadeiro plano de desenvolvimento. Por isso devemos romper com o FMI e com o Banco Mundial, expulsar as transnacionais e conquistar a segunda independência nacional, que só virá das mãos dos operários e camponeses pobres com um programa socialista.

Por último sustentamos que este programa deve ser convertido em realidade na medida em que a classe trabalhadora e o movimento popular sigam se fortalecendo, nas lutas, nas mobilizações e tomando consciência de que devem tomar o poder de Estado através de um governo operário, camponês e popular.

No dia 20 de abril, os trabalhadores e trabalhadoras devem pensar muito bem se devemos presentear com seus votos os exploradores de sempre ou se devem começar a confiar em suas próprias forças.

O PT chama para que, neste dia 20, os trabalhadores votem na Lista 14, a única opção realmente operária, camponesa e popular.

Comitê Executivo Nacional do PT
Assunção, 15 de abril de 2008