Parada do Orgulho LGBT: a necessidade da politização

O evento superou todas as edições anteriores, com a participação de cerca de quatro milhões de pessoas, segundo os organizadores. A dura situação enfrentada pelos LGBTs no dia a dia coloca o desafio de se fazer mais do que uma festa, de retomar a parada cA Parada do Orgulho LGBT ((lésbicas, gays, bissexuais e travestis e transexuais) de São Paulo, a maior do mundo, realizada no último dia 26, foi marcada por uma profunda contradição – algo presente também nas demais que estão acontecendo país afora. Enquanto o número de participantes bate recordes e seu caráter festivo se consolida, os direitos dos homossexuais são usados como moeda de troca em negociatas políticas em Brasília envolvendo o governo Dilma e as bancadas católica e evangélica.

Neste ano temos assistido a um conjunto de acontecimentos que colocam os direitos e a luta dos LGBTs na ordem do dia. Uma onda de ataques homofóbicos sacudiu a cidade de São Paulo, ganhando repercussão nacional. O avanço de agressões e assassinatos faz com que um membro da comunidade gay seja morto por homofobia a cada 36 horas (dados do Grupo Gay da Bahia). Em razão disso, a mobilização pela criminalização da homofobia tem ganhado força.

Por outro lado, ainda que o Supremo Tribunal Federal (STF) tenha reconhecido a união homoafetiva, maior conquista do movimento no Brasil, os setores reacionários e os fundamentalistas religiosos foram para a ofensiva. Isso fez com que Dilma capitulasse a evangélicos e conservadores como Jair Bolsonaro e Anthony Garotinho, recuando do kit “Escola sem homofobia”, como forma de salvar o ex-ministro Antonio Palocci de uma CPI. Agora, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) está negociando com estes mesmos setores, que fazem parte da base aliada do governo, alterações no projeto de lei complementar que prevê a criminalização da homofobia (PLC-122).

Bloco da CSP-Conlutas
Em razão dessa situação, a CSP-Conlutas e os militantes do PSTU participaram da parada de São Paulo organizando um bloco com faixas, bandeiras, bateria e até bonecos de Bolsonaro e Dilma Rousseff. A CSP-Conlutas, que em 2008 havia sido expulsa da parada exatamente por tentar levar reivindicações políticas ao movimento, desta vez não só voltou como foi convidada a fazer duas falas durante o evento. José Maria de Almeida,o Zé Maria, falou em nome da central no carro de abertura, e foi aplaudido pelos milhões de ativistas ao exigir a criminalização da homofobia e a aplicação do kit “Escola sem homofobia” em todas as escolas. Também denunciou a negociata política em Brasília com nossos direitos. Guilherme Rodrigues, ativista do movimento LGBT agredido em São Paulo por um grupo homofóbico no final de março enquanto voltava para casa, fez uma fala dura contra a homofobia chamando o movimento a transformar toda a energia que agita a parada em mobilização e luta por nossos direitos.

“Pra combater a homofobia a nossa luta é todo dia!”
O evento superou todas as edições anteriores, com a participação de cerca de quatro milhões de pessoas, segundo os organizadores. Embora haja um domínio das grandes empresas sobre a organização da parada (Petrobras, Caixa Econômica Federal, TAM, preservativos Olla, Fecomércio e outras), a dura situação enfrentada pelos LGBTs no dia a dia coloca o desafio de se fazer mais do que uma festa, de retomar a parada como um evento de luta. A disposição dos ativistas ficou clara quando Guilherme puxou a palavra de ordem que a CSP-Conlutas usou na Marcha Contra a Homofobia em Brasília, “pra combater a homofobia a nossa luta é todo dia!”, ganhando adesão dos milhares que estavam ao redor do trio elétrico.

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