Para impedir o acordão, só tomando as ruas

Está em curso um acordão para abafar a crise política do país. Como a crise tomou uma dinâmica própria, ameaçando escapar do controle tanto do PT como do PSDB e PFL, a saída seria um acordo por baixo do pano, que preservaria o governo Lula, assim como a oposição burguesa.

Já estavam vindo à tona com força as relações de Marcos Valério também com o PSDB em 1998, mostrando que PSDB e PT têm muito em comum. A crise política chegou a sacudir a economia. Foi quando a burguesia deu o sinal de alarma, pois seus negócios começaram a ser afetados.

A idéia é costurar uma saída que inclua a cassação de alguns parlamentares e preservar Lula, assim como a direção do PSDB. Esse acordo, no entanto, ainda não está acertado porque faltam alguns elementos que não são “detalhes”. O primeiro deles é convencer figuras como Zé Dirceu (um dos que seriam cassados) a aceitar sua degola.

A segunda é convencer os trabalhadores do país sobre essa manobra vergonhosa. O grau de descrédito que já têm as instituições deste país (em particular o Congresso, partidos e governo) daria, de imediato, um novo salto.

Apesar dessas dificuldades, não temos dúvidas de que essa é a política que já está sendo aplicada pelos setores mais importantes da burguesia, pela grande imprensa, pelo governo e oposição burguesa. Não por acaso, as denúncias deixaram de se aproximar de Lula e se centraram em Zé Dirceu.

Por que não se investiga o presidente?
Isso significa que vai continuar a blindagem ao redor de Lula, para evitar que as investigações cheguem até ele. A CPI chapa-branca, por exemplo, recusou-se até agora a convocar Lula para prestar depoimento.

Por esse motivo, o PSTU está entrando com uma representação junto ao Ministério Público, exigindo que o presidente seja investigado por todos os fatos que já vieram a público, mas que ninguém se dispõe a apurar. Nós afirmamos que Lula sabia de todo esse esquema de corrupção, dele participava e se beneficiava. E exigimos que isso seja investigado.

Quando nos perguntam se estamos a favor do impeachment de Lula, nós dizemos que ainda não, essencialmente por um motivo: um setor importante da classe trabalhadora e da juventude ainda acredita em Lula e seu governo. Mas nós queremos conscientizar esses trabalhadores e jovens que não só Lula é responsável pela corrupção, assim como por uma política econômica pró-imperialista desastrosa. Só do movimento de massas pode sair uma alternativa real ao governo Lula, porque não confiamos no Congresso e nem na oposição burguesa. Para que isso ocorra, é necessário mostrar a esse setor do povo brasileiro que Lula é seu inimigo, que é necessário romper com o governo e o PT para lutar contra a corrupção e a política econômica.

Todos às ruas! Vamos ao ato do dia 17 em Brasília.
É possível que esse acordão prevaleça? Sim é possível, se depender só dos grandes partidos, da grande imprensa, do Congresso, da CPI chapa-branca. Evidentemente, como a crise é grande, sempre pode surgir alguma denúncia que exploda todos os acordos, vindas de um secretário, um motorista, ou mesmo de Marcos Valério.

Não existe, no entanto, nenhuma garantia que isso se dê. O Opinião Socialista, desde o início desta crise, vem alertando que, se o movimento de massas não entrar em cena, tudo isso pode terminar em pizza. Hoje, essa possibilidade já está sendo costurada pelo governo e pela oposição burguesa.

Ganha uma enorme importância então a convocatória feita pela Conlutas para o ato do dia 17 de agosto em Brasília contra a corrupção e a política econômica do governo. Até este momento não se realizou nenhum ato nacional (e nenhum ato de peso, ainda que regional) depois de dois meses de crise política aguda. Para evitar o acordão, é hora de ir para as ruas, de fazer um grande ato em Brasília, que mostre o repúdio dos trabalhadores à corrupção do governo e do Congresso.

O ato do dia 17 tem uma enorme importância por outro motivo: é preciso que se construa uma alternativa do movimento de massas distinta do PT, da CUT e da UNE, para mostrar que essas organizações, por apoiarem este governo corrupto, já não representam os trabalhadores e os jovens. é preciso que isso se faça desde a esquerda, desde o movimento de massas, para que a única alternativa ao governo não seja a oposição burguesa, tão corrupta como o PT, e defensora da mesma política econômica.

O mês de agosto foi, muitas vezes, a época de crises agudas no país. Foi esse o mês da renúncia de Jânio Quadros e do suicídio de Getúlio Vargas. O governo e a oposição burguesa torcem para que agosto de 2005 seja o mês da pizza. Nós torcemos para que seja o início de uma grande mobilização que aponte uma alternativa independente tanto do PT/PCdoB, como do PSDB/PFL.