Os perigos da banalização do conceito de fascismo

Benito Mussolini e Adolf Hitler, os dois maiores maiores símbolos do impulso ao fascismo

“Se o Partido Comunista é o partido da esperança revolucionária, o fascismo é, como movimento de massas, o partido da desesperança contrarrevolucionária.”
Leon Trotsky

 

No Brasil, o fascismo virou xingamento: se é muito à direita, então é fascista. Se defende a violência da polícia, então é fascista. Se considerarmos o fascismo dessa maneira, veremos, de fato, fascismo em todos os lados e não compreenderemos a especificidade do que, de fato, é fascismo.

Dizer que o fascismo é um fenômeno típico da época imperialista, embora seja uma constatação correta, não avança uma só linha em determinar o que o fascismo é. Sua especificidade consiste em ser um tipo de organização paramilitar com objetivo de destruir o movimento operário.

Daí decorre que o fascismo, diferentemente de um governo militar, não se assenta primordialmente no exército oficial, mas em setores de massas fortemente enraizados na pequena burguesia e nos estratos médios da sociedade. Além disso, seu discurso ideológico está comumente orientado para o futuro, um discurso nacional-imperialista, motivo pelo qual o fascismo é mais fértil em países da prateleira de cima do imperialismo do que em países periféricos.

O fascismo é um movimento tão extremo que mesmo a burguesia, com o conservadorismo que a caracteriza desde meados do século 19, apenas apoiou movimentos fascistas em situações limite: quando não foi capaz de frear um movimento revolucionário em ascensão pelos meios institucionais, legais ou não.

Nesse sentido, se as pessoas hoje consideram Bolsonaro ou o MBL como um movimento fascista, é porque algo de errado não está certo. E isso não é para aliviar a barra desses últimos. O problema é, simplesmente, que esse uso indiscriminado só serve para despreparar as massas operárias e a classe trabalhadora em geral para combater o verdadeiro fascismo e deixá-las, física e ideologicamente, expostas a ele.

Gustavo Lopes Machado é editor do blog Teoria & Revolução.