Os pacotes de estímulo da economia podem tirar os países da crise?

A reunião do G20, grupo de países responsáveis por 80% do PIB mundial, terminou neste sábado, 5 de setembro, com as declarações otimistas de sempre. O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, afirmou que o mundo ainda não está fora da crise, mas reconheceu que “estamos vendo a luz no fim do túnel”. Disse, também, que os Bancos Centrais dos países impediram uma possível catástrofe com os pacotes de estímulo da economia.

Ao mesmo tempo, os membros do G20 concluíram que “este não é o momento de aplicar uma estratégia de saída” e decidiram manter os planos de ajuda econômica até que a recuperação estivesse assegurada. No dia anterior, o anúncio da taxa de desemprego de agosto nos Estados Unidos levou os economistas ao desânimo generalizado, o que nos leva a perguntar se realmente os pacotes de ajuda estão cumprindo o papel de principais combatentes da crise econômica.

Quando mais dinheiro é injetado no mercado e as taxas básicas de juros bancários são reduzidas pelos Bancos Centrais, o efeito é um aumento da oferta de crédito à população, estimulando o aumento do consumo. Este aumento ajuda a limpar os estoques encalhados nas fábricas durante os primeiros meses da crise econômica. É o que assistimos nestes meses precedentes com os automóveis no Brasil, por exemplo. A redução do IPI e a redução da taxa de juros provocaram o aumento das vendas, e as montadoras aproveitaram para esvaziar seus pátios. Porém a produção industrial no estado de São Paulo em agosto caiu quase 9% em relação a agosto de 2008. Isto é, um aumento das vendas não eleva, necessariamente, a produção.

É por isso que os representantes do G20 afirmam que a crise ainda não acabou, ao mesmo tempo em que fazem declarações otimistas para iludir os trabalhadores. Não há nenhuma certeza de que a oferta de crédito seja capaz de provocar um novo ciclo de investimentos na indústria e, assim, uma nova onda expansionista da economia. Tentam empurrar o problema à frente, à espera de que as verdadeiras medidas tomadas para superar a crise surtam efeito: aquelas capazes de fazer aumentar a taxa de lucro dos capitalistas.

O aumento da taxa de lucro pode ser obtido pelo aumento dos preços, mas esta não tem sido a medida prioritária da burguesia. Nos Estados Unidos, por exemplo, existe queda dos preços ao consumidor (deflação) desde dezembro de 2008.

A outra medida é o aumento direto da exploração dos trabalhadores. Esta pode ocorrer pelo aumento do desemprego, pela redução do salário, pelo aumento do ritmo de trabalho e outros meios, ou uma combinação de todos eles. É o que tem acontecido nestes primeiros meses após o início da crise. Os patrões buscam desesperadamente aumentar sua taxa de lucro atacando as conquistas dos trabalhadores, cuja reação pode vir apenas algum tempo depois quando a situação tornar-se insustentável.

Um dos principais indicadores do grau de exploração dos trabalhadores é a produtividade do trabalho, que é a quantidade de produtos fabricados dividida pelo número de horas trabalhadas. A produtividade aumenta quanto mais se fabrica num menor tempo. Isto pode ser conseguido com máquinas mais modernas ou com o aumento do ritmo do trabalho. Nos dois casos há aumento do desemprego e uma exploração maior sobre quem fica empregado.

Se tomarmos os dados do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos pode-se perceber isso claramente. Recentemente foi divulgado o relatório sobre produtividade e custos do segundo trimestre de 2009 (abril, maio e junho). A produtividade aumentou 6,6% em relação ao trimestre anterior, que é o maior índice desde o terceiro trimestre de 2003. Isto aconteceu porque ocorreu uma redução de 1,5% da produção e de 7,6% das horas trabalhadas. No setor de manufatura industrial a redução das horas trabalhadas foi ainda maior, de 14%.

Como pode ser visto, a produtividade aumentou apesar da queda da produção total, porque houve uma economia enorme das horas trabalhadas. Ocorreu aumento do desemprego ou redução da jornada semanal de trabalho, o que significa redução salarial dos operários, pois são horistas e a jornada semanal é móvel. Em 2008, ocorreu um aumento médio dos salários de apenas 0,8% nos EUA, mas se a inflação de 3% for descontada, o resultado é uma redução salarial entre os trabalhadores norte-americanos.

Se a classe operária não reagir, o imperialismo norte-americano poderá aumentar sua taxa de lucro até surgirem condições econômicas para que novos investimentos propiciem a abertura de outro ciclo de expansão com base no aumento da exploração. Estas condições ainda estão longe de ser obtidas e nada indica que os trabalhadores ficarão passivos perante estes ataques, como mostram as manifestações na Europa, a guerra do Afeganistão e a situação de instabilidade na América Latina e no Oriente Médio.