Operários param obras em Fortaleza

Patrões se mantêm intransigentes; operários ameaçam com greve e passeata toma conta da cidadeNa construção civil, os empresários não têm do que reclamar. Amparados pelos incentivos e privilégios do governo Federal, o setor foi um dos únicos no país que passaram ilesos pela crise. Em Fortaleza (CE) não é diferente. Na capital do Ceará, as obras de infra-estrutura para a Copa do Mundo aqueceram ainda mais o ramo, causando até falta de mão-de-obra.

André Montenegro, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Ceará, entidade dos patrões, chegou a declarar à imprensa que “há 20 anos ou mais que não se via um momento tão propício para o setor imobiliário como agora”.

Os únicos que não se beneficiam dessa situação são os operários. Em plena campanha salarial, os trabalhadores da construção civil batem de frente com a tradicional intransigência e truculência da patronal. “Apesar dos altos lucros, eles não propõem nenhum aumento real, apenas a inflação”, afirma Valdir Alves, assessor do sindicato da categoria, que estima em até 12% o crescimento do setor no último período.

Os operários reivindicam 15% de reajuste salarial, além de 20% nos pisos salariais, cesta básica e plano de saúde. “Estamos exigindo também aumento na PLR e a questão dos delegados sindicais”, conta o assessor. “Vamos lutar pela ampliação dos direitos”.

Disposição de luta
Neste ano os trabalhadores já realizaram diversas assembleias e paralisações por questões específicas. A primeira assembleia unificada ocorreu no dia 11 de março e reuniu em torno de 1.500 operários, que mal couberam na sede do sindicato.

Na segunda, dia 15, os trabalhadores fizeram uma paralisação de advertência por duas horas. “Apesar de as empresas montarem um esquema repressivo, os operários não se intimidaram e pararam”, conta Valdir. Eles chegaram de surpresa no local e paralisaram os trabalhadores, seguindo em passeata pelas ruas de Fortaleza com 1.200 operários.

“Vamos realizar nossa próxima assembleia no dia 18 e, caso não avancem as negociações, vamos entrar em estado de greve”, afirma o diretor do sindicato, José Batista. “Os operários não se deixarão levar pela intransigência dos patrões, vamos lutar por nossos direitos”, adverte.