Operários do Comperj ficam sem salário e fazem paralisação


Empreiteira envolvida na Operação Lava-Jato dá calote nos funcionários

A campanha salarial do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) está marcada pra 1º de fevereiro. Mas como é de costume, os operários da obra não gostam de ”guardar pra janta” e já paralisaram nesta semana. O canteiro da Alusa Engenharia puxou a paralisação com seus 2400 operários que estão sem receber desde novembro.

A patronal rapidamente partiu para o ataque e anunciou demissões em massa. Demissões em nossa categoria são muito comuns, mas como essa de agora nunca se tinha visto no Comperj. O discurso das empresas é uma armadilha. Estão dizendo que suas contas estão travadas por conta das investigações na Petrobrás, e que nada podem fazer. O SINTRAMON-CUT (Sindicato dos Trabalhadores Empregados nas Empresas de Montagem e Manutenção Industrial da Cidade de Itaboraí) fala de “um problema de cada vez” e que “os operários da Alusa não podem prejudicar toda a campanha salarial 2015”. Mas no ABC paulista, a peãozada derrotou as demissões. É possível ganhar, desde que os operários estejam atentos às armadilhas desse tipo.

Há anos no “trecho” lutamos contra a Odebrecht, Camargo Correia, Techint, IESA, ENGEVIX. Estes são nossos inimigos de carteirinha. Chegou a hora de enfrentarmos uma verdade tão dura quanto nossos novos adversários. Agora o inimigo é outro e ele se chama Petrobras. Camaradas, vamos ser francos! Sabemos que greve é guerra e o patrão é implacável. Temos que ser firmes em dizer que se as contas das empresas estão bloqueadas, isso não é problema nosso. Choveu dinheiro pros patrões e agora esse dinheiro vai ter que aparecer. Dilma e a presidente da Petrobrás, Graça Foster, precisam dar uma solução ao problema.

As jogadas do SINTRAMON-CUT e a armadilha da luta jurídica
O SINTRAMON afirma que “17 mil funcionários não podem pagar pelos 3 mil que estão com salários atrasados” e que “as coisas irão se resolver na Justiça, mas se continuar parado podemos perder”. É bom lembrar que a tradição de luta do Comperj sempre foi a solidariedade. Mexeu com um mexeu com todos! E não é de hoje que eles ameaçam a nossa união. Existe uma cláusula da convenção que permite às empresas descontar todo o nosso vale-alimentação em caso de paralisação geral. Paramos várias vezes e os patrões nunca se atreveram a descontar, pois sempre tiveram medo.

O SINTRAMON-CUT não é apenas patronal, é também governista. A CUT é intimamente ligada ao governo do PT e existem ordens explícitas de Brasília para que essa greve não exponha nem a Petrobrás nem a presidente Dilma. 

Todos ao Rio: Vamos parar a capital
O Comperj fica situado no interior do Rio de Janeiro, em Itaboraí. Nossa localização geográfica joga contra nossa luta, e precisamos quebrar esse isolamento. Temos que despertar a opinião pública do Rio. Temos que botar os 20 mil peões na porta da Petrobras, cobrando respostas e pondo o governo Dilma contra a parede. Se não ganharmos a opinião pública para o nosso lado, vamos levar na cabeça!

As demissões e os ataques se alastram por todo o país. O aumento da passagem já está mobilizando milhares nas ruas e, no ABC paulista, os operários conseguiram reverter as 800 demissões da Volkswagen após uma greve que durou 11 dias. O peão do Comperj tem que romper seu isolamento e saber fazer aliados. Os ataques que vemos no Comperj vão piorar e serão mais duros. Então fica a pergunta: se a luta contra as demissões estão ganhando corpo no Brasil todo, por que ficar isolado e não se unir com outras categorias? Pra que lutarmos sozinhos se podemos lutar juntos?  

O Comperj não pode acabar
Queremos saber o futuro dessa obra. Se ela vai ser cancelada ou não, ainda não sabemos. Mas o que temos certeza é que o povo brasileiro continuará necessitando de derivados de petróleo e o Comperj continua necessário. O refino é, além de tudo, estratégico. De setembro pra cá o país gastou mais de 30 bilhões de dólares na importação de petróleo e derivados, tornando, assim, dependente às pressões e oscilações do mercado internacional.

Não há motivo pra sermos penalizados com desemprego e gasolina cara só pra obedecer aos caprichos do bolso do patrão. Se o Comperj for suspenso, isso abrirá caminho pra suspensão de contratos nos estaleiros e nas plataformas de petróleo. Se os patrões querem nos impor a fome e o desemprego, então vamos tomar a obra e exigir a estatização dela imediatamente! Vamos cobrar da Dilma, que foi eleita com o apoio do peão, que estatize as obras da Petrobras garantindo sua continuidade. Os trabalhadores não vão pagar pela crise.