Dilma quer socorrer as empreiteiras envolvidas em corrupção


O governo deve socorrer os trabalhadores que estão sendo demitidos, garantindo estabilidade no emprego já

A presidenta Dilma Roussef (PT) está preocupada com as dificuldades financeiras das empresas envolvidas em corrupção, por isso teve uma reunião com os presidentes do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e do Banco do Brasil para tentar destravar empréstimos destinados a socorrer a Sete Brasil, maior fornecedora da Petrobras no Pré-sal.

A Sete Brasil é uma das empresas envolvidas no escândalo do petrolão. A proposta seria liberar cerca de R$ 10 bilhões. A Sete tem como sócios a própria Petrobras, bancos como Bradesco, BTG Pactual e Santander, além dos maiores fundos de pensão de estatais do país. Essa articulação significa dar mais dinheiro para quem tem muito dinheiro.

E é justamente o dinheiro dos trabalhadores contribuintes que vai bancar tudo isso! Com isso, o Estado brasileiro deixará de fazer investimentos em saúde e educação e, com estes empréstimos, estará legitimando crimes e negociatas.

Esta política tampouco garante o emprego dos operários. No final do ano passado, a empresa Enseada Indústria Naval comunicou que demitiu 470 integrantes do Consórcio Estaleiro Paraguaçu (CEP). A obra chegou a empregar, em fevereiro, 7,2 mil trabalhadores. A alegação é que as dispensas foram causadas pela “indisponibilidade de recursos financeiros” do seu principal cliente: “a Sete Brasil”. As empresas Odebrecht, OAS, UTC Engenharia, que trabalham no estaleiro, também são citadas na Lava-Jato.

A OAS, que tem cinco de seus executivos presos, já demitiu milhares de operários em todo o país. Isso porque, para financiar sua meteórica expansão, levantou dinheiro no Brasil e no exterior. No ano passado, fez negócios de R$ 1,2 bilhão com o fundo de pensão Funcef (dos funcionários da Caixa Econômica) e com o FI-FGTS (fundo de investimento administrado pela Caixa). Agora, em crise, as primeiras medidas a serem tomadas são o corte de custos e as demissões. Ou seja, a empresa toma dinheiro público, é acusada de corrupção envolvendo a maior estatal do país e quem paga o pato no final são os trabalhadores.

E há ainda o derrame nos fundos de pensões. Pelos menos 50% do déficit da indústria de fundos de pensão brasileira vem de planos de previdência de empresas estatais. Os fundos de pensão têm um déficit de R$ 27,6 bilhões, segundo os últimos dados da Previc. Só as fundações dos funcionários da Caixa (Funcef), da Petrobras (Petros), do BNDES (Fapes) e dos Correios (Postalis) têm juntas déficits de R$ 14,6 bilhões. A Caixa Econômica Federal deve começar a fazer aportes extras em um de seus planos em breve, e os Correios terão que aumentar as contribuições adicionais que já faz desde 2013.

Petrobras também paga dívidas das empresas
Supostamente para evitar a quebradeira no setor de óleo e gás, a Petrobras está assumindo pagamentos a fornecedores devidos por firmas envolvidas na operação Lava-Jato. Agiu dessa forma em pelo menos três casos: consórcio UFN III, da Galvão Engenharia; projeto Charqueadas, do estaleiro Iesa; e no consórcio Integra, da Mendes Júnior. Aos fornecedores da Galvão foram pagos cerca de R$ 300 milhões.

É absurdo que a estatal pague dívidas de uma empreiteira envolvidas em processos de corrupção. São os grandes empresários envolvidos nestes escândalos que vão novamente lucrar com a crise. Cada dívida destas que é paga é menos investimento que a petroleira poderá fazer no setor de óleo e gás.

Enquanto isso, os trabalhadores estão sendo demitidos em todos Brasil, de Charqueadas, no Rio Grande do Sul; ao Comperj no Rio de Janeiro; a Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, particularmente pelas empreiteiras Iesa e Galvão Engenharia.

Nos estaleiros, também os metalúrgicos vivem um clima de apreensão sobre o futuro da indústria da construção naval e offshore no Brasil, temendo demissões e fechamento de instalações industriais do setor. Um deles é o Estaleiro Brasa, de Niterói (RJ), controlado pela SBM, em parceria com o grupo Synergy, envolvidos no pagamento de propina na estatal. Por outro lado, a Petrobras, para cumprir meta de produção até 2020 estabelecida por ela mesma, precisa dos estaleiros para construir novas plataformas, sondas de perfuração, entre outros equipamentos.

O caminho que deve ser seguido é: o governo deve garantir o emprego de todos os trabalhadores que prestam serviço às empresas envolvidas no escândalo de corrupção (sejam das fornecedoras, empreiteiras e estaleiros), com a desapropriação ou sequestros, sem indenização, de todos os bens e patrimônio destas empresas, efetuando a estatização destas empresas e garantindo a estabilidade no emprego para todos.

Além disso, o governo deve restaurar a Petrobras como empresa 100% estatal e garantir a volta do monopólio estatal do petróleo, a fim de garantir o patrimônio e os lucros do povo brasileiro.

Outro caminho significa favorecer a impunidade e o esbulho do dinheiro público. Intolerável para um governo que fez tantas promessas eleitorais para se manter no poder.

Os efeitos da crise da Petrobras se alastram pela economia. Mas a maior preocupação não pode ser com a asfixia financeira das empresas envolvidas, bancos e mercado de capitais. A maior preocupação deve ser em que situação ficaram os trabalhadores.

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