Operários de termelétrica de Sergipe cruzam os braços contra demissões e maus tratos

Desde sexta-feira, 10 de agosto, operários da Termelétrica Porto de Sergipe estão em luta. Os operários paralisaram contra demissões em massa, maus tratos e condições de trabalho precárias. A realidade na obra é um retrato da reforma trabalhista que está em vigor no Brasil, aprovada pelo Governo Temer e os corruptos do Congresso Nacional e do Senado.

O investimento inicial da obra corresponde a R$ 5 bilhões. Trata-se da construção da maior usina termelétrica da América Latina. O governo do estado, na gestão de Jackson (MDB) e Belivaldo (PSD), entregou essa obra bilionária nas mãos de uma empresa privada, a Celse, que foi criada em 2015 com esse propósito.

Na base da chibata
A Celse não tem funcionários próprios. Ela contratou aproximadamente 12 empresas de grande e pequeno porte. Todo o trabalho pesado feito pelos operários é terceirizado. Os trabalhadores que paralisaram são contratados pela Enesa, que conta com um quadro de 600 funcionários. No dia 24 de julho, 31 trabalhadores dessa empresa foram internados com intoxicação por causa da alimentação fornecida por ela e, para piorar, eles não tinham cobertura do plano de saúde.

É pressão em cima dos caras. Aí cai material, acidente toda hora… cobrança demais e qualidade de menos. Não dá condições pra você trabalhar. A obra tá 72 dias adiantada. Uma obra para 1.500 pessoas, eles estão fazendo com 300 a 600 pessoas. Você tem que trabalhar por dois ou três aí na pressão”, ouça abaixo o relato de dois operários.

A terceirização da obra e a superexploração atravessa o nosso continente. Estruturas enormes chegam completamente montadas de Taiwan, da Tailândia e Vietnã. Países conhecidos pela alta exploração e morte de trabalhadores por excesso de trabalho.

De onde vem o lucro?
Muitas empresas, assim como a Celse, para existir, recebem investimentos do nosso próprio bolso através do Estado. Para lucrar, elas consomem nossa força de trabalho e nosso tempo de vida. Depois abocanham as riquezas que produzimos. Quanto mais tempo as empresas consomem da nossa força de trabalho, maior é o lucro delas. Assim, trabalhamos não só para compensar nossos salários, trabalhamos para produzir um valor extra, que é apropriado pelos patrões.

Ou seja, se a obra da termelétrica está adiantada três meses, quer dizer que a Celse, através da Enesa e demais terceirizadas, multiplicou o lucro dela, com o chicote no lombo do trabalhador no Brasil e nos países da Ásia.

Para manter esse nível de exploração, as empresas contam com o apoio dos governos e da polícia. O governador Belivaldo Chagas (PSD), candidato à reeleição, deu ordem à polícia para reprimir os trabalhadores.  Sendo que a empresa tem praticado diversas barbaridades e tem se recusado a negociar.

Sindicato pelego
Para enrolar os trabalhadores, a Enesa quer obrigá-los a aceitar a negociação com um sindicato que eles não confiam. O sindicato que representa legalmente a categoria é o Sindmont, filiado à Força Sindical. É o mesmo sindicato que teve o presidente e outros diretores presos acusados pela morte do Barriga, liderança do SOS Emprego, movimento de desempregados que lutava pelo direito de trabalhar na termelétrica.

O sindicato só enrolava e tentava desmontar a greve. Os trabalhadores então decidiram em assembleia, na segunda-feira, 13, que não aceitavam a representação do sindicato e elegeram uma comissão de base. Agora os trabalhadores aguardam que o Ministério Público conceda o reconhecimento legal à Comissão de Base, que já foi legitimada pelos trabalhadores.

Rebelião organizada
Além da comissão, para manter a organização da greve, todos os dias os operários fazem greve para decidir sobre a continuidade do movimento e planejar as próximas ações. Eles também fazem vaquinha todos os dias para comprar água e pão, e a CSP-Conlutas tem ajudado com o carro de som.

Dejnal Prado, militante do PSTU, nosso candidato a vice-governador em Sergipe, tem acompanhado de perto a greve. “Queremos que os trabalhadores levem essa experiência de organização de base e democracia operária para onde eles forem, seja nos bairros ou no trabalho. Por isso estamos nessa greve. Queremos que o trabalhador se conscientize  e aprenda a se organizar”, afirma.

 “Os trabalhadores de Sergipe e do Brasil tem que se rebelar, como eles estão fazendo aqui”, completa Gilvani Santos, candidata pelo PSTU ao governo de Sergipe. Para que os recursos do estado, que é produzido pelo trabalhador, sejam investidos em mais geração de emprego e não desempregar. “É disso que nós do PSTU falamos, quando fazemos o chamado a rebelião. A classe trabalhadora precisa tomar o país e o estado para derrubar a burguesia e construir um governo revolucionário e socialista”, conclui.