Uma rebelião de base ocorreu nesta quinta-feira, 14, na assembleia dos operários (as) da General Motors de São Caetano do Sul, região do ABC paulista.

Os operários, por ampla maioria, votaram pela manutenção da greve contra a decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), e contra a orientação do sindicato que era o retorno ao trabalho e continuar a luta de outra forma.

O TRT determinou o fim da greve, com o retorno ao trabalho sob pena de o sindicato pagar uma multa diária de R$50 mil.

A dita justiça mostra de que lado está:  do lado dos patrões e da empresa. A greve é um direito dos trabalhadores. A decisão de obrigar os trabalhadores a voltar ao trabalho é antidemocrática, pois os conflitos tem que ser decididos entre as partes e não sob a tutela da justiça que, de justa, não tem nada.

Reivindicações

Sobre as reivindicações tratadas no dissídio: INPC integral 10,42%; manteve a cláusula 42 (que acaba com a estabilidade dos lesionados); grade dos novos aumentos 6/6; e manutenção das cláusulas sociais. Sobre os dias de greve não houve decisão, pois teve divergência entre os juízes. Já em relação ao Vale Alimentação (V.A.) julgou improcedente e nada de aumento real.

Sindicato chamou o recuo

O presidente do sindicato, ligado à Força Sindical, Cidão, disse que o tribunal já mandou descontar o dia de ontem, e afirmou também, para nossa surpresa, que a partir de amanhã haverá multa de R$ 50 mil. Mas o que é preocupante é que a greve passa a ser “abusiva”, a empresa pode fazer retaliação, ou seja pode demitir, e para chamar o recuo, o dirigente disse que não podia jogar o trabalhador em aventura ele disse que acreditava no bom senso de todos.

Mesmo com esse tom de terror, os operários, por maioria absoluta, decidiram manter a greve.

Todo apoio à greve

Essa unidade demonstrada pelos trabalhadores e a consciência de que é possível ter uma vitória tem que ser apoiada pelo conjunto do movimento pois, agora, a luta ficou mais dura. Cabe ao sindicato garantir a decisão dos trabalhadores e organizar a luta, fazer passeata, e organizar piquetes de greve. Nas outras plantas da GM os operários já fizeram assembleias de apoio, como em São Jose dos Campos, Mogi e Gravataí. Cabe agora fazer mais uma rodada de solidariedade a assembleia, denunciando a GM.

GM lucra bilhões e paga salário de fome

Os operários novos da GM estão ganhando R$1.700 de salário de Ingresso (salários de fome) é por isso que a reivindicação do Vale-alimentação se torna tão sentida entre os trabalhadores.

A GM é uma empresa multinacional e está entre as maiores automobilística do mundo, mas paga salário de fábrica “boca de porco”, como se chama as empresas de fundo de quintal.

A multinacional norte-americana manda todos os anos bilhões de lucro para sua matriz no Estados Unidos. Mas não abre mão de um mísero VA, e se nega a dar aumento real para os trabalhadores que constroem sua riqueza. Além disso, a empresa lucra milhões com isenção de impostos, taxa de água, luz, IPTU além dos empréstimos dados pelo BNDES.

É preciso dar todo apoio à luta dos operários da GM! Não mediremos esforços para que essa greve seja vitoriosa”, disse mais uma vez Luiz Carlos Prates, o Mancha, dirigente do PSTU e da CSP-Conlutas.