Onda de greves no Peru

O estopim da onda de protesto foi dado pela poderosa greve dos professores que foi seguida por greves na saúde e no Judiciário e por uma onda de protestos dos camponeses que passaram a bloquear as estradas.

Após ter sido eleito com um apoio massivo do povo peruano, depois de uma onda de mobilizações populares que derrubou o ditador Alberto Fujimori, Toledo alentou a esperança de mudar a situação do país depois de quase uma década de aplicação dos planos neoliberais. No entanto, o governo segue aplicando os planos de FMI.
No ano passado a cidade de Arequipa já foi palco de uma greve geral contra a privatização da empresa de energia local que se estendeu por toda região e obrigou Toledo a recuar, parcialmente, no projeto de privatização.
“O mentiroso vai cair!”

Desde o dia 12 de maio cerca de 280 mil professores peruanos da rede pública estão em greve por aumento de salários. Segundo o governo uma família necessita para viver de 2.000 soles (moeda peruana). No entanto, os professores recebem a miserável quantia de 625 soles (menos de U$ 200), isso depois de quase 12 anos sem reajuste.

E, para aumentar a raiva dos professores, Toledo aumentou seu próprio salário, passando a receber 18 mil dólares e enviou ao Congresso uma lei de privatização da Educação. Indignados, os professores resistem há 17 dias com uma poderosíssima greve nacional que conta com o apoio majoritário de estudantes e suas famílias.
Toledo segue aprofundando os ajustes exigidos pelo FMI e dedica hoje pelo menos 28% do orçamento para pagamento de juros da dívida externa, enquanto a Educação Pública recebe os míseros 2,9%. O aprofundamento da miséria do povo levou a que o índice de rejeição do governo chegue a 92%, e nas ruas os professores cantam: “vai cair, vai cair, o mentiroso vai cair!”.

Aproveitando a greve dos professores entra em cena o movimento nacional de agricultores no último dia 26 de maio. Cerca de 1 milhão e quinhentos mil camponeses se somaram aos professores exigindo medidas de emergência para setor, destruído por uma década de importações de alimentos e a retirada de um projeto de lei que restringe a utilização da água por parte dos agricultores.
O efeito dominó seguiu com a greve por tempo indeterminado de 37 mil trabalhadores do setor da Saúde e o setor administrativo do Poder Judicial. Com o movimento radicalizado e massivo, o que se ouve nas ruas é “Escuta, Toledo, com marchas te elegemos, com marchas te tiramos!”, a resposta do governo foi o Estado de Emergência e uma forte repressão contra os trabalhadores e camponeses.


. Veja a declaração do PST peruano (em espanhol)

Post author Yuri Fujita,
de São Paulo (SP)
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