Oficina discute o racismo enquanto instrumento do neoliberalismo

“O Neoliberalismo atinge a todos e aos marginalizados mais ainda`. Wilson
Silva, desta forma, expõe a relação entre racismo e a opressão do sistema
capitalista, tema da oficina “Globalização, Racismo e Políticas Públicas“.
Segundo Wilson, o racismo é um instrumento do sistema capitalista, como
forma de explorar mais certos grupos da sociedade. Essa relação entre
opressão de raça e exploração de classe pode ser vista nas comparações de
salários e níveis de emprego entre brancos e negros.

Wilson cita dados que comprovam a atual situação da população negra no
país. O salário de um homem negro em São Paulo equivale a 50.6% do salário
de um homem não negro. Entre as mulheres negras, a desproporção é bem maior.
A média salarial de uma mulher negra consiste em 33,6% da de um homem não
negro. Em Salvador o salário de um homem negro chega a ser menos da metade
do salário de um homem não negro, 47,9%.

O desemprego entre os negros, além da fator do menor tempo médio de
escolaridade, também é agravado pelo fato de se exigir “boa aparência“ para
boa parte dos serviços privados. Wilson destaca que, entre as repartições
públicas, a média de trabalhadores negros é bem maior. Isso se deve ao fato
de que serviço público contrata seus trabalhadores através de concursos, não
exigindo, portanto, a tal “boa aparência“. “Assim, observamos que a
privatização de serviços e empresas públicas serva ao racismo, pois o negro
perde tanto em serviços, pois a população negra depende dos serviços
públicos, quanto em empregos“, afirmou.

Uma das principais polêmicas no debate foi a questão das cotas. Wilson
disse que: “A questão das políticas públicas não se resume a cotas, mas tem
que estar associada a um projeto global para a sociedade, tem que ser
financiada com os recursos do não pagamento da dívida externa“. Leomar
Borges, de Salvador, estava na platéia e argumentou que: “se a questão é o
mérito, o cara que tem dinheiro para fazer várias refeições ao dia, que põe
gasolina no carro, vai para escola particular, pode descansar e se preparar
para o vestibular, ele é que tem a vaga reservada. Não é mérito nenhum“.
Wilson ressalta esse argumento dizendo que “já existem cotas, só que para
brancos“.

Uma questão de Raça e Classe

Wilson critica ainda a “esquerda brasileira que não soube combinar a luta
anti-racista com a luta anti-capitalista“. Parte do movimento negro, por
causa disso, adota a perspectiva reformista e defende o capitalismo “mais
humano“. “Nós do PSTU, achamos que não há luta consequente anti-racista sem
lutar contra o capitalismo“.