Ocupação do Pinheirinho se prepara para resistir a novos ataques

Governador Geraldo Alckmin quer criar um novo Eldorado de CarajásSão José dos Campos, que está entre as dez cidades mais ricas do país, tem um outro lado pouco divulgado. Como na maioria das cidades brasileiras, a riqueza se concentra em alguns poucos pontos da cidade e a pobreza se espalha. Aos pobres são reservados o rigor da lei e a violência policial.

A ocupação urbana do Pinheirinho teve início no dia 28 de fevereiro de 2004, em um terreno abandonado na zona sul, próximo ao campo dos Alemães. A gigantesca área de 57 alqueires é uma propriedade de ninguém mais, ninguém menos, que o mega trambiqueiro das bolsas de valores Naji Nahas. O especulador deve mais de R$ 5 milhões em impostos à prefeitura municipal, dívida essa que hoje é superior ao valor do terreno ocupado.

A Justiça já tentou por mais de 10 vezes desocupar a área. Mandados de reintegração de posse foram dados sob os mais suspeitos argumentos e, um após o outro, foram sendo derrotados pelas diversas iniciativas políticas e jurídicas, tanto dos moradores da ocupação, quanto dos sindicatos da cidade, em especial do Sindicato dos Metalúrgicos.
Só entre dezembro de 2004 e janeiro de 2005 por duas vezes foi marcado o despejo, e por duas vezes, uma combinação de atos de ruas, fechamento da Via Dutra e passeatas até a casa do atual prefeito da cidade, Eduardo Cury (PSDB) e uma intensa atividade jurídica conseguiu suspender essas decisões.

Nova ameaça
Agora, uma nova ação jurídica está em curso para despejar os moradores da ocupação do Pinheirinho. As manobras de bastidores visam garantir que o processo desta vez caia nas mãos de juizes mais “confiáveis” da burguesia paulista. A manobra está sendo preparada para dar um aspecto legal a uma decisão política tomada anteriormente e várias vezes alardeada, que é de derrotar os movimentos sociais que desafiem os interesses do grande capital nos estado de São Paulo.

Nunca é demais lembrar que sob a batuta do PSDB se cometeram os massacres de Eldorado de Carajás (PA) e mais recentemente a desocupação sangrenta do acampamento sem-teto de Goiânia. Aliás, a irmã Dorothy, recentemente assassinada, foi vítima dos latifundiários do Pará, governado por este mesmo partido.

A ocupação do Pinheirinho vai resistir
As diversas derrotas que a ocupação do Pinheirinho impôs ao governador de São Paulo, seu partido político e sua “justiça” deram aos ocupantes uma certeza: é possível impedir e vencer na luta as forças do atraso que hoje governam o estado de São Paulo.

Os moradores do Pinheirinho têm atuado na vida política da cidade, como no apoio permanente às greves operárias dos metalúrgicos e químicos, aos sem-terra, à luta pela distribuição da pílula do dia seguinte, o que fez com que a população reconheça que a ocupação do Pinheirinho é hoje um local mais seguro que os bairros vizinhos. Paralelamente a isso, os sem-teto desenvolvem também uma forte campanha em defesa da ocupação, dando o recado de que o Pinheirinho vai resistir.

Não haverá passo atrás. Os moradores do Pinheirinho sabem que as terras que eles ocuparam eram devolutas, foram usurpadas pelo bandido de colarinho branco Naji Nahas, que nunca pagou um centavo por elas e ainda sonegou todos os impostos. Tanto é assim que todas as ações judiciais de desocupação fracassaram até agora. Mas sabem também que está se armando uma arapuca jurídica para legalizar uma ação militar contra esta ocupação.

Solidariedade à ocupação do Pinheirinho
Diante do ataque que se arma, a CLMP chama todos os movimentos sociais, todos os lutadores, todos aqueles que não querem ver um novo massacre a se unirem à campanha contra a invasão militar que se prepara contra a ocupação do Pinheirinho. É urgente o envio de e-mails, fax e cartas para as autoridades que podem impedir que esse massacre aconteça.

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    Secretário de Estado
    Secretaria de Habitação do Estado de São Paulo
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    Prefeito de São José dos Campos
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