A campanha eleitoral começou oficialmente. Não se trata de quaisquer eleições, já que elas ocorrem em um cenário de aumento da fome, da miséria e do desemprego. Este governo Bolsonaro é uma verdadeira desgraça que precisa ser derrotado.

Ao contrário da propaganda do governo Bolsonaro, afirmando que a inflação estaria retrocedendo, o emprego subindo e a economia, enfim, decolando; a realidade no dia-a-dia da classe trabalhadora é o inverso dessa “fake news”.

O leve alívio provocado pelo corte do ICMS sobre os combustíveis (bilhões que deveriam ir para áreas como Saúde e Educação) não mexeram um milímetro na carestia. Segundo o IPC (Índice de Preço ao Consumidor), houve leve deflação em julho; ou seja, redução da inflação, mas apenas para quem recebe mais de R$ 9.696, menos de 5% da população. E, mesmo isso, só até as eleições.

Para o restante da população, cada ida ao supermercado é um suplício, com os preços dos alimentos nas alturas. Os R$ 600 até dezembro não compram nem uma cesta básica em São Paulo. E, como se isso não bastasse, Bolsonaro ainda liberou o empréstimo consignado, que permite aos bancos darem crédito, cobrarem os olhos da cara em juros e descontarem até 40% do benefício.

Já o desemprego é massivo, escondido pela precarização e a informalidade, que deram um salto após a Reforma Trabalhista. A realidade é que mais da metade das pessoas com idade para trabalhar está fora do mercado de trabalho.

E, ao mesmo tempo em que faz populismo eleitoreiro, o governo Bolsonaro continua cortando dinheiro dos serviços públicos. Só este ano foram R$ 3,2 bilhões tesourados da Educação. A previsão feita pelo ministério de Paulo Guedes, em julho, era de que os cortes chegassem a R$ 6,7 bilhões. Na última semana, Bolsonaro chegou a vetar o reajuste do repasse aos estados para a compra de comida nas escolas.

Sem combater o capitalismo não há saída

Para resolver o desemprego, a fome, a carestia, o acesso à moradia e à terra e todos os demais problemas históricos que afligem a classe trabalhadora é necessário atacar os lucros e propriedades dos bilionários, expropriar as 100 maiores empresas e reestatizar, sob controle dos trabalhadores e trabalhadoras, as empresas entregues ao capital privado e internacional. Isso porque, embora a classe trabalhadora produza todas as riquezas, elas vão para menos de 0,1% da população, que são os bilionários. Um programa que não coloque essas medidas na pauta do dia, não vai resolver nada.

Neste sentido, a tarefa dos trabalhadores e dos socialistas é ganhar o maior número de pessoas para este projeto. Votar em Lula-Alckmin parece mais fácil para derrotar Bolsonaro, mas como diz o ditado: “Se atalho fosse bom se chamaria caminho”. É preciso derrotar o sistema capitalista e os ricos e poderosos que são os responsáveis pelo surgimento de Bolsonaro e pelo aprofundamento da exploração e da opressão. Isso não se faz em aliança com os ricos, como faz a chapa Lula e Alckimin.

Nestas eleições, o verdadeiro voto útil é o voto na chapa Vera e Raquel Tremembé, uma alternativa operária, negra, indígena e socialista. Cada voto no 16 é um tijolo a mais na construção da derrota da direita e da burguesia.

Derrotar as ameaças golpistas de Bolsonaro

Enquanto isso, Bolsonaro vem fazendo um duplo movimento. Ao mesmo tempo em que impõe um pacote eleitoreiro, intensifica as ameaças golpistas, com a convocação dos atos para o “7 de setembro” e os ataques às urnas eletrônicas. A sua prioridade é ganhar as eleições, mas o plano B é guardar a cartada das ameaças na manga. Além do clima permanente de intimidação e chantagem, ele pode tentar algo “à la” Capitólio norte-americano, mantendo sua base de ultradireita atiçada lá na frente.

Há duas formas equivocadas para enfrentar esta questão. Uma é ignorar essas ameaças e apostar na força das “instituições”. O Supremo Tribunal Federal (STF), o Congresso Nacional e as demais instituições dessa democracia dos ricos não foram capazes de conter Bolsonaro até hoje. E não é agora que vão ser. Outra, como setores do PT fazem, é agitar que estamos à beira de um golpe e, contraditoriamente, defender que se combata isso votando e, pior ainda, numa alternativa de aliança com a burguesia, como é a chapa Lula-Alckmin.

A resposta que a classe trabalhadora deve dar às ameaças de Bolsonaro é a mobilização, com organização própria e independência de classe. Este não é um tema que provoca grandes comoções entre os trabalhadores, que se veem obrigados a sobreviver a duras penas, com essa carestia e o desemprego.

Na periferia, então, o tal “Estado Democrático de Direito” nunca existiu. Por isso, não assinamos as cartas em defesa dessa democracia dos ricos. O que defendemos é o socialismo, onde as liberdades democráticas serão muito maiores que nesta democracia do 1%.

Mas é um erro fechar os olhos às ameaças de Bolsonaro. Numa ditadura, é a classe trabalhadora que tem mais a perder, com o fim do direito de organização, luta e expressão. O fim das poucas liberdades democráticas pode impedir que até lutemos ou protestemos contra os ataques. E é a classe trabalhadora que pode, de fato, derrotar qualquer tentativa neste sentido.

Para acabar com a miséria, a saída não é Lula-Alckimin, aliados dos ricos!

O PT construiu uma Frente Ampla com diversos setores da burguesia, partidos do Centrão, o agronegócio e o mercado financeiro, em torno de Lula e Alckmin, como alternativa mais confiável e uma chance de estabilidade frente ao bolsonarismo, nos marcos do capitalismo.

Essa é uma falsa alternativa. Sob o ponto de vista da classe trabalhadora, não é possível resolver a crise governando junto com os banqueiros, os grandes empresários e o agronegócio. Não é possível ter um governo que, ao mesmo tempo, governe para os trabalhadores e para os empresários. Isso sempre significa, invariavelmente, retirar direitos dos trabalhadores e garantir os lucros dos ricos. É o caminho para a desmoralização e, do outro lado, teremos uma ultradireita mais organizada, armada e pronta para voltar com mais força.