O “terrorismo made in ecuador”

Campanha pela libertação de Marcelo Rivera, condenado por terrorismo

No Equador, lutador social que não é cooptado pelo governo é tratado como “terrorista”Caminhando pelo centro de Quito, pode-se ler pichado em diversos muros “Libertad para Marcelo Rivera”. Pichações exigindo a liberdade de presos são imagens típicas de ditadura, o que estariam fazendo ali? Na verdade, se não podemos ainda chamar o Equador sob Correa de uma ditadura, é inegável que o governo empreende uma escalada rumo a um regime autoritário e repressivo.

Um regime, porém, cuja repressão tem um sentido muito bem definido: é direcionado aos movimentos sociais que se chocam com o governo. Antes mesmo dos acontecimentos de 30 de setembro, 286 pessoas eram processadas por “terrorismo”. Desses, 72 só do movimento indígena. Como afirmou a revista Vanguardia, “terrorista” no Equador não tem o rosto de um árabe, mas o perfil de um sindicalista, ou de um líder estudantil ou indígena.

Criminalização ou cooptação
“A política do governo para os movimentos sociais têm duas alternativas: ou a cooptação ou a criminalização”, explica Miguel Merino, professor de Sociologia da Escola Politécnica Nacional. Simbolicamente, no dia 30 de setembro de 2009, exato um ano antes do levante policial, um ativista morria durante uma repressão policial a um protesto contra a Lei de Água.

O retrato mais próximo dessa política de criminalização é do líder estudantil cujo nome estampa os muros de Quito. Marcelo Vera era presidente da Feue, a Federação de Estudantes Universitários do Equador. Após uma manifestação em defesa do livre acesso à universidade, foi preso e julgado por terrorismo e sabotagem, sendo sentenciado a três anos de prisão, além de multa de 300 mil dólares. Fossem levadas em consideração todas as acusações que lhe imputavam, o líder estudantil deveria ficar trancafiado por mais de 20 anos.

O dirigente petroleiro Diego Cano, presidente da federação de petroleiros do país, foi chamado a depor na Justiça acusado de “atentar contra a segurança interna do Estado”, somente por ter estado na Assembleia Nacional um dia antes do 30-S, com uma comissão de funcionários públicos acompanhando a tramitação da Lei de Serviços Públicos.

“O presidente vai à TV e diz que Marcelo Rivera deveria ser preso, aí no outro dia um juiz pede a prisão dele, aqui a Justiça faz o que manda Correa” acusa Cano. “Aqui um país dito ‘democrático´, há sim presos de consciência, presos políticos”,, afirma o petroleiro.

Recentemente, o governo Correa enviou um projeto de lei que reforma a norma sobre Segurança Pública e do Estado, e possibilita às Forças Armadas intervirem na “proteção interna e manutenção do controle da ordem”, sob mando do presidente.

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