O segredo do sucesso da Jeep: Suor, exploração e morte

Temer visita a fábrica da Jeep em Pernambuco. Foto Agência Brasil

Jovem operário morre em acidente de trabalho na moderna planta do interior de Pernambuco. É a terceira morte em três anos

Há exato 3 anos, a FCA (Fiat Chrisler Automobile), começava a operar a sua fábrica mais moderna, 4.0, no Brasil, na cidade histórica de Goiana, em Pernambuco.  Recentemente, recebeu a visita do presidente Temer e também do presidente mundial da FCA, quando anunciaram mais investimentos e também receberam mais 5 anos de isenções fiscais do governo.

Mas nesse dia 16 de abril perdemos mais um trabalhador. Um jovem de apenas 23 anos, trabalhava na área de prensas da Jeep, era executor, trabalhava na execução da troca da ferramentas e moldes nas prensas.

Neste dia pela manhã, na troca das ferramentas numa linha de prensas, quando manobravam um porta-ferramentas com a ponte rolante, a mesma balançou. Este é sempre um grande perigo nesta operação. O porta-ferramenta se soltou do cabo de aço, sendo arremessada e atingindo em cheio V. Seus companheiros de trabalho testemunharam sua morte quase instantânea. Mas, como sempre, a FCA, não em particular, mas no geral como praxe de todas as montadoras neste país, nega morte dentro de suas instalações. Afirmam sempre que  “morreu a caminho”, “faleceu no hospital”, etc.

Três anos, três mortes
V. não foi o primeiro e nem único.  No seu primeiro ano de trabalho, ocorreu um acidente fatal, na BR 101, com um piloto de testes que ficara famoso na região metropolitana do Recife, pois dirigia os primeiros carros fabricados no Nordeste brasileiro. Motivo de orgulho para um povo que construiu a indústria no ABC paulista nos anos 60 e 70, fugindo da miséria, da seca e fome e, em 2015, via sua região tentar romper com quase 400 anos ligados à cana de açúcar. A nossa primeira indústria voltada para o nascente capitalismo europeu, mas com o asqueroso trabalho escravo do povo negro.

Já no segundo ano veio a segunda ocorrência. Um trabalhador na Denso, fabricante japonesa de sistemas de arrefecimento, refrigeração em geral dos carros, teve sua cabeça esmagada numa prensa. Sem falar dos acidentes, da excessiva rotatividade e o um aumento da produção crescente.  Estamos perto da capacidade total inicial, ano passado a produção foi de 180 mil carros para uma capacidade instalada de 250 mil, este ano a produção é de quase 15% a mais.

O clima em todo o pólo automotivo, neste dia 16, foi de tristeza, raiva e comoção. Não bastasse o pior salário entre as fábricas instaladas no país e a maior jornada de trabalho, quando no início a maioria dos diretores e auxiliares eram italianos, o assédio moral era escandaloso. Xingamentos em italiano e “brasiliano” eram rotinas, com alguns empurrões e ameaças. Há um ano, estes cargos foram ocupados pelos que vieram de Betim (MG), junto a muitos técnicos, engenheiros, analistas, robotistas do estado mineiro.

Agora, o que prima são as demissões ou o assédio clássico sobre uma classe operária em formação.

Entre os trabalhadores (as), uma enorme maioria de jovens, no primeiro emprego, ex-trabalhadores do mangue, safristas da cana, ou vindos do comércio, do setor de serviços, uma extrema minoria sem qualquer experiência no ramo da indústria.

Hoje, devemos ser quase 15 mil homens e mulheres, trabalhando, prestando serviços dentro do polo, sob uma pressão muito grande.

Uma ausência constante é sempre notada e com bastante ódio: onde estão aqueles que descontam taxas abusivas de nossos parcos salários de 1050 reais? O sindicato que recebe o nosso imposto sindical, além de taxas negociais que chegam a 10% de nossos salários, e quase nunca aparecem por aqui. Podemos contar em 2 ou 3 vezes no ano que aparecem.

Este é o segredo do sucesso da Jeep: superexploração, muita repressão e chegando a morte de trabalhador, assim é o capitalismo 4.0, nas fábricas mais modernas.