“O povo tem que se rebelar”

Gerson José do Nascimento, 42, trabalha na Unillever de Vinhedo (SP) há 22 anos. Ele é membro da direção do Sindicato dos Químicos em Vinhedo junto com mais 17 diretores. Gerson assinou o Manifesto “Um chamado à Rebelião Socialista” lançado pelo PSTU. O objetivo do partido é apresentar um programa socialista e revolucionário nas eleições presidenciais. Abaixo, Gerson explica os motivos que o levaram a assinar o manifesto e apoiar a pré-candidatura de Vera à presidência da República.

Porque apoiar o programa do PSTU?
Por que é um programa que é dedicado ao peão chão de fábrica. E como eu sou trabalhador, sou peão, trabalho em produção e vou apoiar a Vera e o Hertz. Conheci o programa e gostei. É um programa que todo peão que trabalho no chão de fábrica, que trabalha no chão de fábrica, todo peão que trabalha e que sente deveria conhecer. Não é ficar assistindo Rede Globo ou ficar procurando programa do PSDB, PMDB, PSOL. Tem que conhecer o programa que é realmente voltado ao trabalhador.

Como soube das candidaturas do PSTU?
Eu soube da candidatura do PSTU através do Zé Maria que veio aqui no sindicato e apresentou pra direção do sindicato as propostas do programa e a gente gostou. Inclusive vou assinar o manifesto e vamos divulgar a ideia.

Com a prisão do Lula acaba a corrupção?
Imagina! Todos os corruptos têm que ser preso mesmo. É por isso que eu fui com a ideia do PSTU. Porque o corrupto tem que ser preso. Tem que tirar tudo que ele tem e ir pra cadeia. O cara não roubou?

Mas não vai resolver o problema do país o Lula sendo preso. Se for pra prender todos os corruptos vai faltar cadeia. É melhor cercar Brasília.

É o capitalismo, não tem como reformar. A corrupção não acabou com o Lula preso, não vai acabar com o presidente que for eleito. O peão vai continuar sendo peão e vai ser cada vez mais explorado. Cada ano que passa o peão tá ganhando menos, as empresas explorando. Quem tá entrando nas empresas agora o salário tá rebaixadíssimo. Eu tomo como exemplo onde eu tô trabalhando. Antigamente trabalhava várias pessoas numa linha só, mas hoje tem duas ou uma pessoa na linha. Tem gente trabalhando com remédio no bolso e não tem coragem de ir ao médico porque tem medo de ser demitido.

O que você pensa sobre o PT ou PSOL nestas eleições?
Não vou apoiar a candidatura do PT. A gente já teve anos de experiência. Inclusive, eu fui um cara que acreditei muito no Lula. Mas o que ele fez foi trair a classe trabalhadora e ele jogou o movimento sindical numa lama terrível. Pra mim não tem perdão.

Teve oportunidade de fazer diferente e fez o mesmo.

O PSOL pensa muito no poder e quer cadeira. Pra mim é igual ao PT se não for pior.

Está certo chamar o povo a se rebelar?
Na minha opinião tá certíssimo. O povo tem que se rebelar. Se não se rebelar daqui uns tempos vai tá passando fome. E a briga vai ser por pão e água. Vai ter que botar na cabeça do peão que ele tem tudo. O dia que o peão, o cara que tá lá na fábrica que tá nas máquinas, tomar essa consciência…

Ele produz pra vários países, não só para o nosso. É só ele falar: não vou mais produzir, vou parar. Tem que se rebelar. Dar uma resposta a esse governo. Não é só viver de chicotada. Onde a gente vai parar desse jeito? A gente tem que se rebelar.

Como conheceu o PSTU?
Conheci o PSTU quando fui pra direção do sindicato.

Que ano foi?
Foi em 2014. Tamo junto! É difícil pra mim porque de partido político eu nunca participei. Mas não tem um partido mais sério que o PSTU. Não é qualquer um que vai para o PSTU. Acho que a peãozada deveria conhecer. Eu votei no PSTU na última eleição pra presidente quando votei no Zé Maria.

Do jeito que o capitalismo se apresenta é daqui pra pior. O povo vai sentir muito. Mas com certeza a gente vai conseguir fazer a revolução. Vou tá vivo pra ver. Reformar o capitalismo não tem como. O capitalismo tem que ser destruído. Quem é pobre não tem vez no capitalismo. Quem manda é quem tem dinheiro. E a gente é a maioria do país. Todos têm que ter oportunidade de viver a vida dignamente.

Também assinam o manifesto em Vinhedo os seguintes trabalhadores que são membros da direção do Sindicato dos Químicos de Vinhedo:

Diego Francisco Henrique- Reis Abrasivos
Thiago Rodrigues Henrique- Citratus
Devanir Ghendov Silva Saint- Gobain
Jairo Domingues Viçosa Saint- Gobain
Humberto Bittencourt Lopes- Globalpack
Norberto de Almeida Brito- Unilever
André Ferreira da Silva- Kronos
Franicsco Natal de Souza- Unilever
Paulo André Nascimento- Unilever
Jemison Vilela dos Santos da Silva- Unifrax
Robinson Fernandes Vicente- Globalpack
Ednilson dos Santos Souza – Alcar
Gilmar Fernandes de Souza – Age