O outro lado da justiça

Valmes Pereira da Silva, ajudante de motorista de caminhão, foi preso no início do mês por furtar cinco galinhas. O rapaz foi encaminhado para a superlotada cadeia de Rincão, município de São Paulo, cujas péssimas condições foram denunciadas recentemente pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Valmes teve que dividir uma cela com mais 25 detentos, num espaço que abriga no máximo 12. Nos finais de semana, a situação ficava ainda pior, pois Valmes dividia sua cela com mais 65 presos que aguardavam transferência pra outros presídios. Nessa mesma cadeia de Rincão já estiveram Marcelo Donizete Vicente, preso após furtar dois potes de sopa num supermercado, e Juliano Ribeiro Sant’Anna, levado à cadeia por roubar desodorantes.

Outro triste exemplo de como a Justiça trata os pobres foi o da menor L., presa no Pará sob a acusação de ter tentado furtar um aparelho celular, embora ninguém tenha dado queixa e não haja provas de que o crime foi cometido. Interrogada, ela negou o furto e avisou que era menor de idade. Mesmo assim, foi presa e teve que dividir uma cela com 30 homens adultos. Durante um mês, a garota foi torturada e estuprada. L. foi levada à presença de uma juíza e novamente alegou que era menor. A juíza, porém, a devolveu à mesma cela. O caso veio à tona e chocou o país. Quase seis meses depois, alguém foi preso, punido ou responsabilizado por colocar a garota numa cela com homens?

Post author da redação
Publication Date