O lucro que mata: acidente na Vale do Maranhão deixa dois mortos

Pelo menos dois funcionários morreram e cinco ficaram feridosUma falha no sistema de correias que leva minério aos navios provocou uma tragédia no Terminal Portuário da Ponta da Madeira, em São Luís (MA), na manhã desta segunda-feira, 19. Dois operários morreram na hora: Hércules Nogueira da Cruz Silva, 35 anos, e Ronilson da Silva, 40 anos. Cinco foram hospitalizados.

As correias romperam, e o equipamento de quatro toneladas despencou de uma altura de 30 metros sobre os funcionários. Em nota, a Vale “lamenta profundamente o ocorrido” e diz que vai investigar as causas do acidente.

Um acidente previsível
Não existe fatalidade. O que houve em São Luís foi consequência da sede de lucro da empresa que nada se importa com a segurança dos trabalhadores. O ocorrido deixa à mostra as reais condições de trabalho que a ale oferece, ao contrário das belas propagandas na TV.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias (Stefem), os acidentes na área ocorrem desde 2007, quando um trabalhador terceirizado, funcionário da empresa Lavrita, morreu. Na época, o sindicato entrou com ação no Ministério Público Federal do Trabalho, mas a situação não se reverteu.

Na semana passada, trabalhadores da empresa de todo o mundo estiveram no Rio de Janeiro para o Encontro Internacional dos Atingidos pela Vale. No evento, foram discutidos os impactos das ações da mineradora na saúde e na vida dos funcionários e das comunidades, bem como os estragos que causa ao meio ambiente.

Dentre outras coisas, foi informado que, em 2007, ocorreram 23 mortes na empresa. Em 2008, foram nove mortes e 2.860 acidentes.

Depois de ser vendida por um preço muito inferior ao que realmente valia, em 1998, num leilão cheio de irregularidades suspeito, a ex-estatal tornou-se uma das empresas mais lucrativas do mundo. Em janeiro de 2010, seu valor de mercado chegou a US$ 139,2 bilhões, garantindo à Vale a 24ª posição no ranking do Financial Times.

Em contrapartida, seus funcionários ganham um salário miserável, adoecem e correm risco de morte. Durante a crise de 2008, a mineradora demitiu milhares de trabalhadores. Além do desemprego causado, aumentou muito o ritmo de trabalho para os que ficaram, ampliando o risco de doenças e de acidentes.

A Vale e seus acionistas são responsáveis pelas mortes em São Luís e por todas as outras tragédias causadas pela empresa. É responsável, também, o governo Lula que podia ter reestatizado a mineradora, mas não o fez. Enquanto o lucro estiver acima da vida, enquanto a Vale não voltar a ser estatal, a superexploração vai continuar e, com ela, as mortes e os danos ambientais.