O “flagra” de Temer e Cármén Lúcia

Temer e Cármen Lúcia. Reprodução/TV

Foi no final de semana, dias após ter a quebra do sigilo bancário decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso. Michel Temer fez uma visita à presidente do STF, a ministra Cármen Lúcia. Em seguida, uma foto do flagrante foi publicada na imprensa onde os dois mostram um indisfarçável constrangimento. A reunião foi realizada na casa da presidente do STF.

Temer negou que a conversa tenha tratado de qualquer investigação. Mas ninguém acredita nesse ladrão mentiroso.  Após a reunião, o presidente recebeu no Palácio do Jaburu os ministros da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, e da Fazenda, Henrique Meirelles.

Crise
No dia 27 de fevereiro, Temer teve o sigilo bancário quebrado pelo STF. É a primeira vez que um presidente da República em exercício de mandato tem o sigilo bancário quebrado pela Justiça. O governo reagiu com preocupação. Afinal, todo mundo sabe que Temer está metido até o pescoço em todo tipo de maracutaia.

A quebra de sigilo, porém, se refere ao período de 1º de janeiro de 2013 a 30 de junho de 2017 e tem por objetivo auxiliar a investigação contra Temer no inquérito sobre a Medida Provisória (MP) dos Portos. Temer é suspeito de ter aceitado propina da Rodrimar, empresa que opera o porto de Santos, em troca de beneficiá-la por meio de um decreto sobre contratos de concessão e arrendamento do setor portuário.

A investigação sobre o decreto inclui um e-mail da empresa Rodrimar apreendido durante a operação de busca em 2017 na casa de Rodrigo Rocha Loures, o ex-assessor de Temer que  ficou famoso com a corridinha com a mala na qual transportava meio milhão em propina da JBS para Temer.

No dia 12, Barroso ainda autorizou a quebra dos sigilos telefônico e telemático de outros dois suspeitos de serem intermediários de propina para Temer: o próprio Rocha Loures e o coronel João Baptista Lima, velho amigo de Temer. De lambuja, Barroso também decidiu suspender o direito ao indulto natalino dado a criminosos do colarinho branco, previsto no decreto assinado em 2017 por Temer. Barroso ainda fixou prazo maior de cumprimento da pena necessário para que o condenado tenha acesso ao benefício.

O governo reagiu. Questionado se o governo avalia apresentar um pedido de impeachment de Barroso ao Senado, Carlos Marun, o feitor da quadrilha do MDB, respondeu que avalia a possibilidade.

O avanço da investigação contra Temer coloca mais uma vez esse governo corrupto contra parede.  O fim do sigilo pode revelar novas falcatruas de Temer e sua gangue e deixar o governo totalmente acuado por novas e explosivas denúncias de corrupção. Em fevereiro, o governo tentou fazer da segurança pública o “grande tema” nacional. Trata-se de uma forma de responder à aflição popular por segurança e tentar ganhar alguns pontos de popularidade. Em parte, isso justificou a intervenção do exército no Rio de Janeiro e a nomeação de Raul Jungmann para ministro da Segurança Pública – um balão de ensaio para as eleições presidenciais?

Mas a tentativa do vampiro neoliberalista foi sequer capaz de melhorar sua popularidade, que segundo pesquisa CNT/MDA, realizada depois da intervenção, está em 4,3%, ou seja, na margem de erro.

Fora Temer! Fora todos eles!
Não dá pra confiar que essa Justiça vai investigar até o fim e punir Temer e sua quadrilha. O “grande acordo nacional”, expressão de Romero Jucá para designar a operação salva corrupto, também envolve o judiciário, especialmente ministros do STF, como Gilmar Mendes. O flagra do encontro entre o investigado Temer e a presidente do Supremo (que investiga Temer) mostra que muita coisa acontece por de baixo dos panos para safar político ladrão.