Dória: O prefeito que odeia os pobres agora quer ser governador

Prefeito de São Paulo, João Dória, (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Depois de ter queimado a largada para a candidatura à presidência, João Dória (PSDB), o prefeito playboy de São Paulo, ou “prefake”, que se notabilizou no início do mandato por seu “cosplay” de gari, ciclista e pedreiro, agora se lança à candidatura para o governo do estado. Neste dia 12 de março Dória oficializou sua pré-candidatura no diretório estadual do PSDB.

Doria foi eleito em 2016 se aproveitando do enorme desgaste dos políticos e das instituições, com um discurso anti-político. No entanto, pouco tempo foi suficiente para mostrar que o tucano representa o que há de pior na política. Mentiu na campanha dizendo que ficaria os quatro anos de mandato na prefeitura. Mas na primeira oportunidade que vislumbrou para se cacifar à disputa pelo Planalto, lançou-se numa série de viagens país afora numa campanha desavergonhado que só lhe queimou.

O dublê de empresário se desmascarou rapidamente e viu sua popularidade derreter, chegando a uma taxa de rejeição de 39%, semelhante à de Haddad no final de mandato. E agora Doria quer mandar um “bye” à prefeitura em troca do Palácio dos Bandeirantes.

Mas o pior é o legado que Doria está deixando para a capital paulista. Em apenas dois anos à frente da prefeitura de São Paulo, a lista de ataques do prefeito à população pobre e trabalhadora da cidade é extensa.

Guerra aos pobres
Logo no início, a midiática ação na Cracolândia, no centro da cidade, em conluio com o governo Alckmin, deu a cara do que seria sua gestão: um governo sádico que odeia pobres. Repressão contra a população de rua, destruição de barracos e apreensão de pertences conferiu um caráter perverso à ação que, não só não resolveu o problema da região, como piorou ainda mais a situação dos dependentes e dos moradores de rua.

Guardas Municipais na Cracolândia Foto Craco Resiste

Depois, outro anúncio da prefeitura causou perplexidade. Doria divulgou que a prefeitura distribuiria uma espécie de ração aos pobres, feita a partir de alimentos descartados. A ração seria destinada, por exemplo, às crianças das escolas municipais. A tal da “farinata” foi um escândalo e a prefeitura teve de recuar nessa proposta esdrúxula.

Na saúde, a prefeitura anunciou o fim das AMAs (Assistências Médicas Ambulatoriais), uma rede de 108 unidades espalhadas pela capital responsáveis por assistência básica de clínica geral, pediatria e ginecologia. Doria sucateou ainda mais a rede pública municipal de saúde, congelando R$ 2 bilhões do setor e fazendo com que a espera no atendimento de algumas AMAs chegassem a 8h. O próximo passo é simplesmente fechar essas unidades, unindo algumas delas às UBS (Unidade Básica de Saúde) e forçando a população a procurar os já superlotados pronto-socorros dos hospitais.

Moradores de regiões como Itaquera, na Zona Leste da cidade, estão em pânico com a medida de Doria, que vai afetar principalmente os moradores das periferias.

Outra “reestruturação”, leia-se ataque, que a gestão Dória está implementando é nos cortes de linhas do transporte público da cidade. A prefeitura deve cortar 149 linhas e reduzir em mil o número de veículos, que passaria dos atuais 13.603 para 12.667. Cinicamente, afirma que, com isso, vai ampliar o número de lugares e reduzir as viagens. Uma verdadeira mágica para esconder o simples cortes de gasto.

O que a prefeitura está fazendo, na verdade, é cortar linhas que vão de regiões da periferia direto para o centro, forçando a população a fazer mais baldeações. Isso depois de ter aumentado a tarifa de R$ 3,80 para R$ 4 junto com o governo do estado.

E fechando o pacote de ataques contra a população pobre da cidade, João Doria quer impor uma reforma da Previdência contra os servidores do município aumentando de 11% para 14% o desconto previdenciário dos servidores. Em alguns casos, esse desconto pode ultrapassar os 18%. Os professores da rede municipal estão desde o dia 8 em greve contra  a medida.

O que Doria faz na cidade é jogar os efeitos da crise nas costas dos trabalhadores, com requintes de crueldade e sadismo. O playboy que se elegeu apoiando-se no desgaste da gestão Haddad do PT, inclusive nas periferias e nos redutos eleitorais tradicionais do Partido dos Trabalhadores, vê agora também sua popularidade virando pó. E quer reverter isso levando sua guerra contra os pobres a todo o estado.