UTI em Manaus no início da pandemia Foto: Mário Oliveira – SEMCOM

Os governos estão tentando passar a sensação de que estamos retornando à “normalidade”, mesmo ainda que 100% da população tenha sido imunizada sequer com a primeira dose da vacina. Assim, em no nome do lucro e da defesa da tal “retomada da economia”, impõem uma política genocida, que segue matando mais de mil pessoas diariamente em nosso país.

Enquanto corpos seguem sendo enterrados, escolas estão sendo reabertas – seja por governos da direita, como João Dória do PSDB (São Paulo), seja por governos da dita esquerda, como Rui Costa do PT (Bahia) – e eventos e festas “oficiais” estão sendo liberados. Em Salvador, por exemplo, a prefeitura de está estudando a realização de um “evento teste”, visando à preparação do Carnaval 2022. Além disso, o prefeito da capital baiana, Bruno Reis (DEM), aposta na realização do Festival da Virada (festa de fim de ano).

Enquanto isso, a pandemia já infectou mais de 1,2 milhão de pessoas na Bahia, que soma mais de 26 mil mortes. Esta semana, como afirmou o governador Rui Costa, o “vírus ganhou um fôlego novo”. Há quatro dias, a taxa de contaminação parou de cair e a taxa de ocupação de leitos de UTI voltou a subir.

Nova cepa e, ainda, mais perigosa

A falsa impressão de segurança pode ser o prelúdio para novas tragédias. Uma nova variante, chamada de Delta, vem causando estragos em regiões e países que estão mais avançados que o Brasil na política de vacinação, a exemplo da Europa e dos Estados Unidos. Por lá, as coisas estão fora de controle.

Todas as pesquisas científicas, realizadas neste momento, apontam que a variante Delta se replica muito mais rápido e que a sua produção de vírus no organismo é mil vezes maior, comparada à versão original da doença. Por isso, ela é perigosa e está iniciando uma nova onda de contaminações.

Esta variante também já está presente no Brasil e responde por 66% dos casos atuais na cidade do Rio de Janeiro e por 60% dos casos em todo o estado fluminense, segundo boletim da Secretaria Estadual de Saúde divulgado na última segunda-feira (16). A variante Delta também já é responsável 50% dos casos no Distrito Federal.

Também é importante destacar que, no Brasil, temos um número expressivo de pessoas que não voltaram para a segunda dose e estão mais suscetíveis a desenvolver uma doença mais grave se a infecção for pela Delta ou outras variantes, já que vírus está evoluindo. Apenas 24% da população brasileira estão completamente imunizados com as duas doses, indicam os dados do Consórcio de Veículos de Imprensa.

Frente a esta situação, especialistas defendem a revisão de “flexibilizações” impostas pelos governos, caso contrário o Brasil vai passar pela mesma situação que vive o estado do Rio de Janeiro. Na capital carioca, a taxa de ocupação operacional dos leitos para Covid na rede pública bateu os 91%. Enquanto que, no interior, há seis cidades com vagas de UTI esgotadas.

Medidas em defesa da vida

É preciso barrar essa política genocida imposta pelos governos, que visa seguir mantendo o funcionamento da economia, à custa da exploração dos trabalhadores e da manutenção dos lucros dos capitalistas.

Bolsonaro é um genocida e corrupto. Não há dúvidas. Optou pela morte e pela propina, ao invés de comprar vacinas. Desde o início da pandemia, apostou na chamada imunidade de rebanho. Mas ele não agiu sozinho, os governadores e prefeitos também têm sua cota de responsabilidade na morte de 569 mil brasileiros. Nunca implementaram uma quarentena pra valer, com políticas de auxílio, para conter a disseminação do vírus. Sempre colocaram o lucro acima da vida.

Para defender a vida é preciso garantir vacina para todos, quebrando as patentes e enfrentando os laboratórios internacionais que estão lucrando bilhões com o vírus. Também é necessário revogar todas as medidas de flexibilização e garantir o controle, eliminação e erradicação da pandemia, com vacinação, testes de rastreamento e medidas de isolamento social. Retorno às aulas presenciais só após vacinação de todos!

É necessário garantir o auxílio emergencial de um salário mínimo, só assim pode-se aplicar uma política de quarentena de verdade.

Na luta para que tais medidas sejam implementadas, temos que seguir a batalha pela derrubada de Bolsonaro e Mourão, corruptos e genocidas, que matam mais que o vírus.