O desmonte e a crise da Unesp

Foto Unesp

Adams Henrique, do Rebeldia-SP

Recentemente, está sendo muito divulgada na mídia a atual situação da Universidade Estadual Paulista (UNESP). A instituição se encontra em uma crise estrutural, resultante das políticas neoliberais dos governos do estado (PSDB) e de sua reitoria, aplicando diversos cortes e ataques aos funcionários, docentes e estudantes.

Essa situação vem à tona em meio ao segundo ano consecutivo do atraso do pagamento do 13º dos trabalhadores, esses que constantemente são atacados pelas políticas da reitoria e do estado, como a desvalorização de seus salários e benefícios, estrutura e defasagem no quadro de funcionários técnicos-administrativos, fazendo com que haja o acumulo de funções sobre esses trabalhadores e, consequentemente, problemas para a saúde e psicológico, já que os que lutam na Unesp são constantemente perseguidos pelas coordenações executivas.

A falta de professores também é algo alarmante na instituição. A reitoria não abre concurso público há muito tempo, fazendo até mesmo uma chantagem entre os campus quando se tem necessidades urgentes para a manutenção e procedimento das aulas, colocando em pauta transferências tanto de docentes quanto funcionários. Atualmente, todos os campus estão com essa defasagem no quadro, somadas à constante desvalorização do trabalho docente e colocando diversas disciplinas para serem supridas por contratação temporária. Há campus que existem diversos professores substitutos com direitos e salários reduzidos por um regime de contratação de até 10 meses, mostrando que não há qualquer interesse da reitoria na efetivação já que, com o sucateamento de seus funcionários e a constante evolução dessa política, se tem tudo que o governo do estado quer: o desmonte das universidades estaduais.

Outro grande descaso na Unesp é a permanência estudantil, que, na verdade, não abrange as próprias políticas aplicadas pela instituição. No ano de 2018 o vestibular da Unesp chegou a 50% de suas vagas para os aluno das escola públicas, consequentemente o número de trabalhadores e seus filhos aumentou na universidade, mas as péssimas e restritas politicas de permanência fazem com que muitos abandonem mesmo antes de começarem as aulas, pois o numero de bolsas não abrange todos os estudantes pobres.

Todo começo de ano vemos um cenário de desespero, pois diversas pessoas se submetem a um processo totalmente humilhante que necessita de diversos documentos para comprovar que realmente somos pobres e ainda ficamos fora das listas, até mesmo com as bolsas emergências fornecidas pela reitoria que não suprem essa demanda. A reitoria diz que a permanência estudantil é o único orçamento da instituição que não tem corte, mas também temos diversos campus sem moradia. Os campus que tem estão extremamente superlotadas, como os restaurantes universitários que também não estão presentes e passam por diversos processos de sucateamento. Os estudantes se viram como podem, muitos abandonam gerando um discurso para a reitoria que não há interesse por diversos cursos, colocando atualmente esses campus na mira dos cortes e fechamento de unidades, principalmente as unidades mais atacadas e sucateada que são as unidades experimentais, verdadeiro laboratório para as políticas mais devastadoras.

Os cursinhos construídos pelos estudantes na Unesp também sofrem constante ataque. A reitoria, ano após ano, corta o orçamento das unidades, fornece um material didático cada vez mais superficial e um constante corte de bolsas, já que a reitoria trabalha da forma que, existindo 50% das vagas para alunos das escolas públicas nos cursos, não necessita da existência dos cursinhos.

Nessa crise, a Unesp alega ter um orçamento em déficit orçamentário de R$ 245 milhões e recorre ao governo do estado uma antecipação de cerca de R$ 130 milhões. Nesta crise, a reitoria torna como política acabar com o vestibular de meio de ano e a tentativa de acabar com os campus experimentais, alegando pouca demanda e alto abandono, algo que está totalmente ligado às más políticas de permanência e estrutura desses campus, culpando estas unidades como um peso no orçamento da Unesp.

A crise da Unesp não está nesses campus e nem nos cursos de licenciatura que a reitoria irá tentar fechar em diversos campus. A crise é política, é uma consequência das politicas do governo do estado e da reitoria. Não iremos aceitar nenhum ataque e exigimos um repasse maior às universidades estaduais. Nenhum trabalhador e estudante deve aceitar as reformas que a reitoria propõe, devemos construir essa luta e reivindicar nossos direitos.

Não iremos aceitar nenhuma tentativa de fechamento de campus da Unesp, chamamos os funcionários e estudantes a construir uma grande luta pela educação pública. Chamamos a construção da greve, nos lembrando dos estudantes secundaristas que em 2015 ocuparam suas escolas contra a reorganização escolar proposta pelo governo do estado e barraram todos os ataques!

Ocupar e Resistir!

Fora Sandro e Fora Dória!

Não ao fechamento dos campus na Unesp!

Venha construir a Juventude da Revolução Socialista, venha lutar contra todos os ataques, venha para a Rebeldia!