O covil de bandidos do imperialismo

Criada depois da Segunda Guerra, sob o pretexto de manter a “paz” no mundo, a ONU, na verdade, serviu somente para legitimar as agressões do imperialismo`ArteA Organização das Nações Unidas (ONU) constituiu-se como entidade das potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial. Sua estrutura era composta, fundamentalmente, por uma Assembléia Geral e por um Conselho de Segurança, de cinco membros permanentes: Estados Unidos, União Soviética (hoje, Rússia), França, Reino Unido e, mais tarde, a China. O Conselho se constituiu como poder deliberativo acima da Assembléia Geral. Assim, a ONU passou a funcionar como um canal em que as duas potências nucleares emergentes do pós-guerra – os EUA e a URSS – podiam negociar e divulgar seus interesses de uma tribuna mundial.

Como parte importante desse rearranjo, a ONU se colocaria como a “guardiã da paz” estabelecida sob os interesses da coexistência pacífica entre o imperialismo norte-americano e a URSS-stalinista, concretizando a aplicação da divisão do mundo entre as duas superpotências.

Nos anos que sucederam à Segunda Guerra, a ONU cumpriu um papel de resguardar os interesses do imperialismo mundial. Quando explodiu a guerra da Coréia e, mais tarde, o conflito no Vietnã, a ONU manteve um silêncio cúmplice diante dos crimes cometidos pelo imperialismo. Sob o pretexto de “pacificação”, tropas dos EUA interviram na Somália, com autorização da ONU, em 1992. No ano seguinte, são substituídas por uma força de “paz” da ONU, que também entrou no combate contra a guerrilha comandada pelo clã de Aidid. Pouco depois, os EUA retornaram com tropas especiais e bombardearam posições de Aidid, sem derrotá-lo. A pressão da opinião pública norte-americana, contrária ao envolvimento na Somália, levou à retirada dos EUA, em 1994. O imperialismo e a ONU fracassam e a intervenção militar internacional terminou em 1995, com a saída das últimas tropas.

No fim dos anos 90, a Otan promoveu um intenso bombardeio sobre a Iugoslávia, exigindo a retirada das tropas sérvias da província de Kosovo. O resultado foi a morte de milhares de pessoas e a retirada dos sérvios. A partir daí um governo fantoche foi instituído na província pela ONU.

ONU apoiou a guerra contra o Iraque

Em 1989, com a queda do muro de Berlim e dos regimes stalinistas, no leste da Europa, os imperialistas propagavam o início da Nova Ordem Mundial. Em 1990, a União Soviética de Gorbatchev já não era a mesma superpotência da Guerra Fria. Um dos desdobramentos desse processo é o fato da URSS apoiar a Resolução no 600 do Conselho de Segurança da ONU, após a invasão do Kuwait pelo Iraque, que ordenava “a retirada imediata e incondicional dos invasores”, e a Resolução no 661, que impunha a todos os países membros das Nações Unidas o impedimento de comercializar com o Iraque.

Então, no dia 29 de novembro de 1990, o Conselho de Segurança da ONU, autorizou os países membros a usarem todos os meios necessários para a invasão do Iraque, e estabeleceu prazo para a retirada do Iraque até 15 de janeiro de 1991.

Para garantir seus interesses, os EUA e seus aliados reuniram no Golfo Pérsico e, principalmente, na Arábia Saudita, o maior exército já formado desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Como disse James Petras: “o ressurgimento colonial fez sua estréia na Guerra do Golfo, quando um consórcio de potências ocidentais, com as bênçãos das Nações Unidas, interveio para proteger as oligarquias de produção de petróleo do golfo”.
Post author Roberto Martins, de Belo Horizonte (MG)
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