Novos protestos estudantis e greve de mineiros esquentam o Chile

Protesto dos estudantes
Indymedia

Dois meses após a onda de manifestações dos estudantes secundaristas que balançou o país, a juventude chilena volta às ruas contra o governo de Michelle Bachelet. Nesse dia 7 de agosto manifestações radicalizadas de estudantes das comunas de Maipú e San Miguel, na periferia de Santiago, foram brutalmente reprimidas pela polícia. As comunas no Chile equivalem aos municípios no Brasil.

Cerca de 150 jovens foram presos. Em Maipú, os estudantes organizaram uma passeata com 700 pessoas. O protesto se dirigiu até a prefeitura e o prédio da Corporação Educacional, que foram apedrejados. Os jovens denunciam o estado precário das escolas públicas, exigindo a melhoria da educação. Os problemas vão da precária infra-estrutura até a falta de alimentação aos estudantes. Além disso, ocorreram manifestações em Arica, Copiapo e Lota.

Mineiros em greve
Ao mesmo tempo em que os estudantes iam às ruas, os mineiros da maior mineradora privada do mundo, a Escondida, entravam em greve. A mineradora é responsável por cerca de 8% de toda a produção de cobre no mundo.

Os trabalhadores da empresa, controlada pela australiana-britânica BHB-Billiton, reivindicam 13% de reajuste e bônus de participação nos lucros da Escondida. A empresa, no entanto, rejeita as reivindicações e propõe apenas reajuste de 3%. Os trabalhadores da Escondida acusam ainda a empresa de fraudar o fisco, sonegando impostos.

A greve foi deliberada no dia 28 de julho, mas os trabalhadores deram uma trégua para o Ministério do Trabalho mediar uma negociação com a empresa. No entanto, a intransigência da multinacional obrigou os trabalhadores a deflagrar a greve. No último dia 9 a paralisação se radicalizou e os mineiros armaram barricadas nos piquetes para impedir a entrada de fura-greves.

Repressão e intransigência
Os “carabineros” acompanham de perto todas as manifestações dos mineiros e a mobilização sofre forte crítica da grande imprensa chilena. No dia 9, policiais ameaçaram retirar a força os trabalhadores que ocupavam o Complexo Esportivo da empresa, transformado no centro de reuniões dos grevistas. Os trabalhadores então levantaram barricadas na rota B-747, impedindo o trânsito e a chegada dos carabineros.

Apesar dos lucros crescentes da mineradora, provocada sobretudo pelo aumento da demanda da matéria prima, principalmente pela China, sua direção se recusa a dividir a mínima parte para os trabalhadores. Além da China, a empresa, que representa nada menos que 2,5% do PIB chileno, também exporta para o Japão, Alemanha, Canadá, Suécia e França.