Nota do Rebeldia sobre o movimento estudantil universitário

Rebeldia – Juventude da Revolução Socialista

O movimento estudantil brasileiro sempre esteve presente e foi fundamental nos momentos históricos decisivos deste país. E hoje, diante dos ataques que o governo Bolsonaro está desferindo contra os trabalhadores, a juventude e o povo pobre, se faz urgente que o movimento estudantil tome como tarefa a mobilização contra a reforma da Previdência, os ataques na educação e em defesa das liberdades democráticas. Não permitiremos um segundo de sossego sequer para este governo que destila ódio contra mulheres, negros, LGBTs, indígenas, fazendo com que aumente a violência, a exploração e a opressão sobre o nosso povo.

Nesta luta, o movimento estudantil deve se ligar ao movimento dos trabalhadores. A luta contra a reforma da Previdência é o campo de batalha no qual está em jogo anos de retrocessos dos trabalhadores brasileiros em suas condições econômicas e de vida em geral. É preciso exigir das centrais sindicais deste país a construção de uma greve geral e iniciar já um processo de mobilização nas universidades e escolas para fortalecer este chamado, assim como denunciar as movimentações de negociação que algumas centrais estão orquestrando como Paulinho da Força. Não à negociação pelas costas dos trabalhadores. Preparar a greve geral já!

Nós, do Rebeldia-Juventude da Revolução Socialista, estamos totalmente dedicados a construir unidades para a ação, mas também frentes estudantis que se liguem a uma frente única dos trabalhadores para lutar contra todos estes ataques. Inclusive, achamos fundamental generalizar as experiências de luta que já ocorreram e têm ocorrido, como os levantes contra Bolsonaro no fim do ano passado nas universidades e a luta hoje que vem tomando conta de algumas universidades estaduais pelo país (UNEB, UESPI, UNESPAR e UNESP).

Temos diferenças com a maioria das correntes do movimento estudantil. Queremos derrotar a direita que vem se organizando no movimento estudantil como o MBL. Seguimos considerando abomináveis os erros da UJS e da juventude do PT de, nos últimos 15 anos, terem colocado a UNE a serviço dos governos petistas que só fizeram atacar a educação e os próprios trabalhadores, governando junto com os ricos e poderosos.

O Rebeldia carrega consigo a história da juventude do PSTU que, ao longo dos últimos 15 anos, militou no movimento estudantil para que este, através da sua luta, superasse essa organização burocrática e atrelada ao projeto petista – já que naquele momento as lutas dos estudantes se chocavam frontalmente com a UNE que defendia o governo do PT e os ataques deste à educação. Foi preciso uma nova organização para o movimento estudantil diante de tantas traições da UNE. Por isso a ANEL nasceu, se desenvolveu e teve papel importante ao longo das lutas. A existência dessa entidade nos últimos anos provou que era possível organizar o movimento estudantil por fora da UNE e que uma parte importante dos estudantes não se vê representada nessa velha e burocrática entidade.

Assim como a realidade do projeto petista no governo demonstrou seus limites, seu apreço ao capitalismo e seu papel no fortalecimento da direita, as lutas que se deram nos últimos anos foram todas por fora dessa entidade. Mas essas lutas ainda não tiveram força para que se superasse a velha direção burocrática e se construísse e fortalecesse uma entidade por fora da UNE.

E hoje a conjuntura mudou. A tarefa urgente colocada para nós é a unidade para derrotar os ataques de Bolsonaro. A classe trabalhadora está de cabeça erguida e a juventude, disposta a lutar, mas os anos de crise econômica e os erros das suas direções históricas a colocam sem uma clara orientação. Precisamos nos unificar em torno de objetivos concretos como a greve geral. Por isso, sem tirar uma palavra sobre as considerações que fazemos sobre essa entidade, iremos ao congresso da UNE deste ano. Estamos buscando unificar a luta dos estudantes e defenderemos nossas posições críticas à UNE e sua direção.

Seguiremos impulsionando a ANEL na medida de nossas forças como instrumento a serviço da reorganização por fora da UNE. Até porque todos nós já conhecemos os limites e desvios desta entidade burocrática que inclusive se mantém como defensora do projeto político do PT, que fez o jogo da direita, servindo de fortalecimento deste setor.

Por isso mesmo, desde já, convidamos todos os estudantes a irem conosco para o congresso da CSP-Conlutas que ocorrerá em agosto. O congresso desta central sindical e popular servirá para armar a luta contra o Bolsonaro e a presença estudantil lá reforça a aliança operária-estudantil.

Queremos, para além de exigir que a UNE assuma um compromisso com a luta pela greve geral e para barrar os ataques de Bolsonaro, dizer que esta entidade precisa ser sacudida desse burocratismo e sua direção derrotada. Ou seja, é preciso superar a UNE para construirmos um movimento estudantil democrático, de luta e que não fique atrelado a velha estrategia de conciliação de classes.

Com a unidade para derrotar os ataques de Bolsonaro, temos acordo total. E inclusive exigimos que a UNE convoque mobilizações nas universidades e se coloque a serviço desta unidade. Mas outra coisa é o debate de saída para o país. A UJS/UNE, com a ideia de frente ampla, quer reeditar a unidade para governar com a burguesia que já fizeram no país e que levou ao fortalecimento da direita e à eleição de Bolsonaro.

Como saída para o país temos que defender um governo dos trabalhadores, uma rebelião, para a ruptura com o capitalismo e construção de uma sociedade socialista. Acreditar que o caminho é tentar administrar o capitalismo de maneira mais humana, só serve para enganar o povo e não resolve as mazelas que tomam a vida dos trabalhadores. Dizemos: a revolução socialista é a saída. Qualquer outra saída, só serve de engano.