“Nossa candidatura está a serviço da luta pela redução da jornada e contra a retirada dos direitos”

Nos últimos meses a cidade de São José dos Campos (SP) testemunhou importantes mobilizações de diversas categorias. Metalúrgicos, operários da construção civil, motoristas de ônibus e professores protagonizaram importantes lutas, a ponto de um famoso radialista local chamar São José de “a cidade da greve”. Agora, com as eleições, a tendência seria o desvio da atenção dos trabalhadores para os políticos e seus discursos. Não para o PSTU. A candidatura à prefeitura de Antonio Donizete Ferreira, o Toninho, divulga e apóia essas lutas, prestando total solidariedade aos trabalhadores.

Na cidade em que os dois principais candidatos pertencem ao PT e ao PSDB, defendendo um mesmo projeto, a campanha de Toninho é um exemplo vivo de como os revolucionários utilizam as eleições em defesa da classe. Agora, além das mobilizações dos trabalhadores, a cidade enfrenta uma onda de demissões. Em entrevista ao Opinião Socialista, Toninho fala sobre a campanha eleitoral e o programa da Frente Socialista para a cidade, focados na defesa dos direitos dos trabalhadores e do emprego.

Opinião Socialista – Qual é o quadro hoje das eleições em São José dos Campos?

Toninho – São três candidatos à prefeitura. O candidato do PSDB, que reúne uma coligação de 14 partidos, o candidato do PT, com mais seis partidos, e a nossa candidatura, da Frente de Esquerda, que reúne nós, do PSTU, e o PSOL. Ao contrário dos outros, a nossa candidatura é da classe trabalhadora. Fizemos o lançamento do comitê na ocupação do Pinheirinho, reunindo mais de mil companheiros. Estamos lançando agora o comitê sindical, que reúne vários sindicatos, como o dos trabalhadores químicos, dos Correios, metalúrgicos, companheiros da Oposição Alternativa da Apeoesp (sindicato estadual dos professores), enfim, inúmeros companheiros e ativistas do movimento sindical e popular. O pessoal da associação de operários da Revap, a refinaria da Petrobras aqui, também está conosco, além de companheiros petroleiros.

As eleições em São José acontecem em um momento em que ocorrem várias lutas e mobilizações.

Verdade, este é um momento de muita luta. Muitas categorias se mobilizaram, como Correios, professores, os próprios trabalhadores da Revap, petroleiros. Os metalúrgicos da GM lutaram contra o banco de horas e a retirada de direitos e acabaram de ter uma grande vitória. Enfim, vários setores fizeram mobilizações nesse período. Então, queremos dar voz na campanha eleitoral a essas lutas.

Como a campanha da Frente de Esquerda se combina com essas lutas e mobilizações?

Temos levado nossa total solidariedade aos trabalhadores e o pessoal tem nos apoiado, levando a campanha para os bairros, as fábricas e os locais de trabalho. A idéia é levar nossa campanha a todas as categorias e locais de trabalho. Ao mesmo tempo, colocamos nossa campanha à disposição dos trabalhadores. O nosso primeiro programa de TV, por exemplo, que vai ao ar no dia 19, divulga um ato de solidariedade aos operários da Revap, que sofreram uma brutal repressão quando fundavam uma associação independente do sindicato cutista e das empreiteiras.

Explique o programa da frente para a cidade.
Nosso principal programa é a defesa de uma prefeitura para a classe trabalhadora. Queremos governar para a população pobre da cidade. Essa prefeitura é muito rica, é o terceiro maior orçamento do estado. Arrecada por ano R$ 1,2 bilhão. Queremos aplicar isso para melhorar a vida da população e da classe trabalhadora da cidade.

Um dos principais problemas enfrentados pelos trabalhadores, principalmente nas fábricas, é o aumento cada vez maior do ritmo de trabalho. Ao mesmo tempo, a cidade enfrenta hoje uma onda de demissões. Demissões na Revap, na Embraer, na Avibras. O que defendemos junto com os trabalhadores é a redução da jornada para 36 horas, sem redução dos salários e direitos. É preciso trabalhar menos para que todos trabalhem. Essa é uma medida contra a superexploração e que ao mesmo tempo abriria novos empregos.

Em São José o candidato do PT tenta aparecer como oposição. Explique a diferença entre sua candidatura e a do PT.

O PT tem o mesmo programa do PSDB. A única diferença é que os trabalhadores ainda acreditam que o PT está ao lado deles, embora já tenha começado um desgaste com o primeiro mandato de Lula. Os dois são candidatos dos poderosos. Não é à toa que estão coligados em mais de 1.300 cidades em todo o país. O prefeito daqui, Eduardo Cury, liderou uma frente junto com a General Motors e uma campanha contra o Sindicato dos Metalúrgicos e em defesa do banco de horas na cidade. Já o Carlinhos de Almeida, do PT, recebeu dinheiro da empreiteira OAS em sua campanha para deputado, em 2006. Essa empreiteira faz parte do consórcio de empresas que atua nas obras da Revap e que age de forma truculenta contra os operários. Ou seja, os dois candidatos não representam uma alternativa para os trabalhadores.

Uma das principais lutas que ocorreram em São José foi a dos metalúrgicos da GM contra o banco de horas e a retirada de direitos. Qual é a proposta da candidatura para esse problema?

Os outros dois candidatos estiveram ao lado da empresa para a imposição do banco de horas e da retirada de direitos. Nós, ao contrário, fomos contra isso. Chegamos até a fazer uma proposta ao prefeito da cidade, que se meteu a ajudar a GM a reduzir os salários dos metalúrgicos. Ele ganha R$ 15.956 por mês. Para um trabalhador ganhar o que ele ganha em um mês, demoraria mais de um ano. E ele se mete a diminuir o salário dos trabalhadores. Propomos para ele realizar uma assembléia na porta da fábrica da GM e deixar que os trabalhadores também definissem o salário dele.

Daríamos 20 minutos a ele e nós teríamos três minutos pra falar contra o salário que ele ganha. Foi um desafio que fizemos aos dois candidatos, pois eles tiveram uma postura de defesa do banco de horas da GM. Somos contra o banco de horas, pois ele aumenta a jornada de trabalho, a exploração e, ao contrário do que dizem, gera desemprego. Defendemos a redução da jornada, que abriria mais postos de trabalho. Somos a favor também do aumento geral de salários, do congelamento dos preços e do gatilho salarial contra a inflação. Mas, ao contrário dos outros candidatos, não plantamos ilusões. Dizemos claramente aos trabalhadores que uma mudança profunda na sociedade só virá com muita luta e mobilização dos próprios trabalhadores.

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